Meu filho presenciou uma cena forte. O que fazer?

Meu filho presenciou uma cena forte

Por mais que tentemos proteger nossos filhos, principalmente quando ainda são crianças, pode acontecer de eles presenciarem cenas fortes. Ninguém está livre de ver um assalto, presenciar um acidente com vítimas, ver a morte de um animal de estimação e até assistir a brigas entre os pais ou entre vizinhos. Todas essas situações, quando vistas pelo olhar de uma criança são processadas de alguma forma, podendo, inclusive, gerar um trauma e/ou sofrimento. O que fazer nesses casos? Um psicólogo pode ajudar?

A criança está em desenvolvimento psíquico, físico e social. O ideal é que na família, na escola e na sociedade, ela não seja exposta a situações de violência domésticas e outras cenas fortes, que podem até estar sendo exibidas na TV, por exemplo. Se levarmos em conta as estatísticas que dão conta de que,a cada minuto, uma mulher no Brasil sofre algum tipo de violência, já dá para se ter uma ideia de como as crianças estão vulneráveis dentro dos seus próprios lares.

Ainda falta maturidade

Num caso de violência, seja no seio da família ou fora dele, não é só a pessoa agredida que sofre as consequências físicas e morais, estas últimas afetam terceiros, e em especial as crianças. Ao testemunharem o fato, elas ainda não têm maturidade para interpretar e absorver. Quando um filho vê uma cena forte, a tendência é ele perpetuar o comportamento observado. Afinal, todos sabemos o quanto as crianças “copiam” os modelos comportamentais dos adultos.

Se não for muito bem explicada e digerida, a agressividade pode passar a ser considerada normal por uma criança. É por isso, que ações violentas podem se tornar um ciclo vicioso e, para que isso não ocorra, é preciso haver um trabalho de conscientização e responsabilização. Dependendo do caso, os próprios pais, ou ainda outro familiar de confiança da criança, como um dos avós ou irmão mais velho, podem ajudar neste aspecto. O melhor é chamar a criança e ter uma conversa franca e transparente com ela, explicando que o que ela viu causa sofrimento, mesmo, mas que é preciso reagir à situação, e pensar a partir daquele momento.

Quando morrem familiares ou animais

Em situações de morte de alguém ou de um animal de estimação, deve-se aproveitar a oportunidade para esclarecer os ciclos da vida e como é natural sentirmos a perda já que gostávamos daquela pessoa ou daquele bicho. Já em casos de assaltos, brigas, etc, é importante que se explique que isso não deve se repetir em casa ou em qualquer outro lugar, porque é uma coisa errada a se fazer e que as consequências são muito graves para todos os envolvidos. Dependendo da idade da criança, já se pode falar em leis e em punições.

Se mesmo falando abertamente sobre o assunto, com honestidade e respeito ao limite de entendimento da criança e de seus sentimentos, você perceber que ela não está usando a sua abertura para dizer o que sente e tirar suas dúvidas, repare se ela não está mudando seus comportamentos como forma de dar vazão a emoções como raiva, medo e tristeza.

Tente, também, perceber se ela não está se sentindo culpada ou se está tendo atitudes, como acordar de noite chorando, demonstrar incômodo ou agressividade sem razão aparente. Se isto estiver acontecendo, procure a ajuda de um psicólogo. Ele é o profissional preparado para lidar com essa situação e tratar a criança de modo que ela não traumatize e aprenda a administrar melhor seus sentimentos.

Autora: Thaiana Brotto (Psicóloga CRP 06/106524)

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