Por Daniela Gilardi
Psicóloga · CRP 06/75614
Publicado em 31/08/2015 · Atualizado em 14/10/2026
O bullying é um assunto que tem tomado espaço crescente nos vários tipos de mídia e hoje já é largamente associado ao ambiente escolar, afirmam os psicólogos.
No entanto, ele está longe de acontecer apenas entre crianças e adolescentes: o bullying corporativo pode ainda ser invisível para a grande maioria das pessoas, mas existe e traz tanto sofrimento quanto qualquer outro.
A disputa cada vez mais acirrada por uma boa colocação no mercado de trabalho e a própria falta de maturidade e de preparo psicológico contribuem para o crescimento da prática, que tem assombrado o ambiente empresarial de diversas áreas.
O problema é sério e deve ser tratado como tal tanto a nível clínico quanto jurídico, já que para a Justiça do Trabalho brasileira o bullying corporativo também é conhecido como mobbing ou assédio moral.
Na parte clínica, o atendimento é individual e parte do que o assédio já custou: sono, confiança, vontade de ir trabalhar. A terapia para assédio moral com uma psicóloga, presencial ou online, ajuda a recuperar a própria segurança e a decidir os próximos passos com mais clareza, o que inclui, se for o caso, procurar a via jurídica.
Intimidação e constrangimento, receita dos fracos

O principal elemento do bullying corporativo é o constrangimento psicológico, com o objetivo de intimidar, isolar e agredir, mesmo que verbalmente, um indivíduo.
Ele pode assumir:
- posição vertical, quando a superioridade hierárquica é usada para constranger subalternos.
- posição horizontal, quando a conduta parte de empregados entre si por motivos de competição ou discriminação;
- combinado, quando empregador e empregados unem-se contra determinada pessoa do ambiente de trabalho;
- e ainda raros casos de ascendente, quando um empregado ou um grupo deles unem-se contra o empregador.
O alto grau de estresse e o pouco suporte psicológico de executivos perante um mercado de trabalho cada vez mais exigente e competitivo transformam o bullying corporativo em uma verdadeira bomba emocional.
Os danos são físicos e mentais: estresse, alteração do sono, depressão, problemas de ordem digestiva, fobias, problemas musculares, baixa autoestima e dores de cabeça, além da própria desistência do emprego como forma de a vítima pôr fim ao sofrimento.
Distúrbios podem ser gerados também em longo prazo
Além disso, a conduta abusiva de caráter psicológico, expondo o trabalhador a situações humilhantes e constrangedoras de forma reiterada e prolongada no tempo, atentando contra a sua dignidade, personalidade ou integridade psíquica, é capaz de causar danos emocionais e comportamentais em longo prazo.
intimidação que muitas vezes leva ao isolamento dentro do ambiente de trabalho pode estender-se a outras áreas da vida, afetando seu comportamento social e suas relações interpessoais, como com companheiros, filhos, amigos, familiares etc.
A ajuda do psicólogo, portanto, é essencial para ajudar a vítima a desenvolver defesas que mantenham sua autoestima alta, uma postura assertiva diante das provocações, superar seus medos e compreender a melhor solução para os conflitos.
A psicoterapia deve colaborar também para a construção de novos relacionamentos, fazendo-a enxergar, dentro de si mesma, novas possibilidades para lidar com a situação.
Ao procurar apoio psicológico, a vítima estará dando um importante passo na preservação de sua autoestima, na manutenção de sua segurança como profissional e prevenindo doenças e transtornos emocionais que podem chegar a psicoses, fobias, depressão e ansiedade generalizada.
Psicoterapia deve ser também preventiva no ambiente empresarial
A via, no entanto, deve ser de mão dupla, uma vez que, para qualquer problema o melhor remédio é a prevenção.
Cabe às corporações, portanto, o reconhecimento formal da existência do problema criando mecanismos de preparo psicológico de superiores e subalternos, incentivando a terapia em grupo ou individual no próprio ambiente de trabalho.
Vale ressaltar que um bom profissional não se faz apenas com conhecimento e expertise técnica e que cargos de chefia requerem preparo psicológico e maturidade emocional.
Da mesma forma, equipes e grupos tornam-se muito mais eficientes e produtivos quando seus participantes estão realmente integrados em uma competição saudável, visando metas e objetivos em comum.
Apenas atacando o problema de todos os lados através da psicoterapia constante e preventiva poderá o bullying corporativo torna-se uma prática obsoleta.
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Autor: Psicóloga Daniela Gilardi Torres Marques - CRP 06/75614Formação: Psicóloga há 22 anos, com atuação em TCC, Gestalt-Humanista e Abordagem Centrada na Pessoa. Especialista em Grafologia, possui experiência clínica com adolescentes, adultos, idosos e casais, além de trajetória em Desenvolvimento Humano e carreira...
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