Por Katia Brito
Psicóloga · CRP 06/112126
Publicado em 04/03/2020 · Atualizado em 15/07/2026
A dependência de qualquersubstância psicoativa, ou seja, que altere os comportamentos, é chamada dedependência química.
Ela pode se referir a álcool,maconha, cocaína, medicamentos e calmantes, e é considerada como um transtornomental resultante da utilização constante das drogas.
Algumas vezes, os dependentesquímicos são vistos pela sociedade como pessoas que não possuem força devontade, fracas e que deveriam simplesmente abandonar o vício.
No entanto, é preciso entender que a dependência química faz com que o usuário das substâncias perca o controle do uso delas e, como consequência, perca também aos poucos seus controles emocionais, físicos e psíquicos. Por isso, ao chegar nessa situação, é preciso buscar ajuda.

Sumário
- O que é a dependência química?
- Uso, abuso e dependência
- 7 fatos sobre dependência química que você precisa saber
- Consequência da dependência química
- Como a psicologia auxilia no tratamento para dependentes químicos
1. O que é a dependência química?
A dependência química foidemarcada e catalogada na Classificação Internacional de Doenças (CID) daOrganização Mundial da Saúde (OMS) da seguinte forma:
“Conjunto de fenômenos comportamentais, cognitivos e fisiológicos que se manifestam após o uso recorrente de certa substância. De acordo com o CID, o código para a dependência química é o F19 sob o registro “Transtornos Mentais e Comportamentais Devido ao Uso de Múltiplas Drogas e ao Abuso de Substâncias Psicoativas”.
De acordo com os dados da ONU,cerca de 240 milhões de pessoas são usuárias de algum tipo de droga que causadependência. A dependência química ocorre quando a pessoa se torna incapaz deresistir à vontade do uso de substâncias.
É importante assinalar queexistem muitos níveis de dependência química. A famosa e inocente cervejinha nofinal do dia pode ser um tipo de dependência. Ou seja, ela não é exclusividadedos indivíduos que são capazes de cometer determinadas transgressões paraobtenção da droga.
2. Uso, abuso e dependência
Para entender a diferença entre o uso, abuso e dependência das substâncias químicas, é preciso saber que isso se trata de um ciclo, uma evolução progressiva.
Porém, apesar de frequente, não é possível dizer que uma etapa sempre acarretará em outra. Em alguns casos, isso não acontece.
A evolução para cada uma dasetapas de interação com a droga ocorre quando o uso delas se torna maisfrequente. Além disso, o uso precoce de substâncias psicoativas tende aprovocar problemas mais graves ao usuário no futuro.
2.1 Uso
O uso se caracteriza como a autoadministração de qualquer tipo de droga, podendo ser rotineiro ou não. É o caso da situação em que as pessoas têm seu primeiro contato com a droga, na conhecida “experimentação”.
Nessa etapa, elas ainda não são prejudicadas pelo uso e conseguem abandonar o consumo por iniciativa própria, caso queiram.
2.2 Abuso
Nessa etapa, o usuário já está emum padrão de consumo que aumenta o risco dos problemas e consequênciasrelativos à substância usada. Segundo a classificação do Manual Diagnóstico eEstatístico de Transtornos Mentais, na fase do “abuso” já é possível perceberconsequências sociais do consumo da droga.
2.3 Dependência
Nessa etapa, já não existe mais controle nenhum por parte do usuário sobre o uso. O consumo se torna uma compulsão e é possível notar os problemas reais de saúde envolvidos no vício.
A vida do usuário passa girar em torno da droga, pois afinal, não é mais uma questão de desejo de consumir a substância, mas, sim, uma incapacidade de não a consumir.
A dependência química é umadoença crônica e possui muitos fatores, significando que sua causa deve serestudada por um terapeuta qualificado
A dependência química é muito mais comum do que as pessoas imaginam. Ela é numerosas vezes citadas na TV, embora noticiada como caso de segurança pública. E a dependência química não é defeito de caráter e sim uma doença como alertam os médicos e psicólogos.
Com a dependência também sepercebe uma tolerância maior aos efeitos da substância, precisando assim dequantidades maiores para obter o efeito desejado.

3. 7 fatos sobre dependência química que você precisa saber
Existem diferenças evidentesentre os vários tipos de drogas e as suas consequências no organismo humano.Vamos listar 7 informações importantes para compreender melhor ascaracterísticas da dependência química.
1º Fato: como a dependência química afeta a pessoa
A dependência química é umadoença que possui diversas origens que vão desde fatores que implicam naquantidade e constância da droga, fatores genéticos, saúde da pessoa econdições psicossociais.
Como vimos a pessoa pode perder ocontrole do consumo da substância. E isso afeta todos os aspectos da vida dousuário, no âmbito mental, emocional e físico. A dependência química deve serencarada como ela é: uma doença. E precisa do tratamento adequado.
2º Fato: existem fatores de risco
Hoje as drogas estão sendoconsumidas cada vez mais. A primeira instância, usar substâncias químicas ésinônimo de felicidade e prazer. Buscar o prazer sempre foi a meta dahumanidade na história.
Mas não é apenas o prazer que compele o indivíduo ao uso e abuso de substâncias. Problemas emocionais, sociais e mentais são os maiores fatores de risco.
Por isso, o tratamento completo muitas vezes envolve a terapia, para tratar os transtornos que levam ao uso de drogas e são agravados por ela. Também é preciso tratar toda a questão social destas pessoas.
É muito importante agir sem preconceito. Qualquer pessoa pode acabar desenvolvendo dependência e isso não deve ser tratado como motivo de vergonha ou falha moral.
Um dependente químico possui uma doença crônica e necessitará de apoio dos familiares e amigos para conseguir superar seu problema e poder ter uma vida normal.
3º Fato: não há exclusividade entre drogas lícitas e ilícitas
O álcool e o fumo, por exemplo, são drogas lícitas, de acesso fácil e do comércio comum. Ambas são consideradas de alto risco de dependência, tendo em seus ingredientes elementos tóxicos.
Seguido destes, temos as anfetaminas e alguns tipos de esteroides que são adquiridos por prescrição ou vendidos livremente em farmácias.
Em menor grau, mas não menos importante, temos o consumo produtos populares como café, refrigerante, doces etc. Eles podem não ter o mesmo grau de dependência, mas seu abuso pode causar problemas de saúde.
4ª Fato: influências internas e externas
Há fatores biológicos, de origemgenética que aumentam o risco de dependência.
Além disso, o uso durante agestação, ambientes familiares onde há dependentes químicos, riscos de saúdemental e psicológicos, falta de conhecimento sobre como lidar com influênciasexternas à família, aumentam a chance de a pessoa vir a desenvolver umadependência, entre outras.
Pessoas que possuem distúrbios emocionais e psicológicos, como por exemplo, depressão e ansiedade, também tem mais predisposição ao abuso de substâncias psicoativas.
5º Fato: sintomas da dependência
Cada substância apresentasintomas de dependência bem específicos. No entanto, alguns podem ser bemcomuns a todas elas, o que ajuda a identificar o problema. Confira.
- Forte
desejo para consumir a substância; - Dificuldades
em controlar o comportamento de consumo; - Estado
de abstinência fisiológica ao cessar o uso; - Abandono
progressivo de interesses em favor do uso da substância; - Persistência
no uso da substância, mesmo sabendo que a mesma é nociva;
Quando o indivíduo inicia um tratamento, os sintomas de abstinência podem causar perturbações e alterações comportamentais sérias. Porém, a abstinência é passageira. O apoio de um psicólogo para este período é fundamental.
6º Fato: reconhecer que é uma doença
Reconhecer o problema é um grandepasso dado. Entender como funciona o controle dos desejos involuntários, dospensamentos e emoções mediante a dependência é restabelecer um primeirotratamento de consciência.
Mas para isso, a pessoanecessitará buscar pessoas próximas em que possa construir relações de confiança.Assim, quanto mais informações e conhecimento sobre seu problema, maior será achance de tratamento. Dependência química é uma doença e não indolência.
7º Fato: necessidade de buscar ajuda
Em geral, muito se discute sobre a possibilidade de a pessoa dependente conseguir livrar-se sozinha do vício. Segundo os psicólogos que trabalham e estudam sobre os mais diversos tipos de transtornos causados pelas substâncias químicas, este pode ser também um é um grande e terrível mito.
O vício é muito difícil de sertratado. O papel do psicólogo neste tipo de tratamento é muito importante, jáque poderá aprofundar questões mais complexas na sua vida. Ao achar que podesair sozinho, muitas pessoas acabam aprofundando o problema.
4. Consequência da dependência química
É preciso entender que adependência é uma doença e que o usuário, nesse momento, não tem controle sobresuas ações. Por isso, é comum que ele abandone sua rotina, seus amigos,familiares e lazeres que costumava gostar. Agora, tudo que importa é a droga e elenão consegue se desvincular do uso.
Alguns dos sintomas percebidos no dependente são: onipotência, megalomania, manipulação, ansiedade, apatia, autopiedade, tendência antissocial e paranoia.
O comportamento dos dependentes afeta todos que estão a seu redor, que passam também a sofrer com esse problema.
O convívio, em alguns casos, faz que familiares adoeçam emocionalmente, sendo necessário que o parente se trate e receba orientações de como lidar com o dependente e com os seus próprios sentimentos em relação à situação.
5. Como a psicologia auxilia no tratamento para dependentes químicos
Em primeiro lugar, a dependênciaquímica é considerada uma doença, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).A dependência está envolvida por tabus sociais, o que prejudica a realização doseu diagnóstico e consequentemente, seu tratamento. A maioria dos usuários sãoapontados e estigmatizados como sujeitos criminosos, agravando ainda mais o seuproblema.
As pessoas usam drogas pordiversas razões que vão desde transformar algo em seu interior, adaptaçõesculturais de uma sociedade, buscar fugir de algum problema, resistir adeterminadas formas de relação, experimentação etc.
Os dependentes precisam reconhecer seu problema e buscar ajuda psicológica. Neste sentido, existem muitos tipos de tratamento e uma das mais populares são as internações em comunidades terapêuticas.
A internação voluntária é aquelaem que o dependente está consciente e busca ajuda para sua recuperação. Poroutro lado, temos a internação involuntária, ou seja, tratamento indicado paradependentes que não reconhecem a necessidade de internação e apresentam riscopara si e para seus familiares.
A terapia psicológica é fundamental para o tratamento de recuperação de indivíduos dependentes. É ela que ajuda o indivíduo a alcançar a sua harmonia e restaurar sua autoestima.
Apesar de complicado e demorado,existe tratamento para a dependência. Ele consiste em parar o uso dasubstância, entrando em abstinência e se mantendo assim. Dependendo da situaçãoe da vontade do paciente, o tratamento pode ser em clínicas, comunidadesterapêuticas ou hospitais especializados.
Durante a recuperação, é precisofazer a reabilitação e reaprendizagem de uma vida saudável, em que a droga nãofaça mais parte. Por isso, é preciso acontecer uma mudança na forma como opaciente percebe-se no mundo, ou seja, no seu autoconhecimento.
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Autor: Psicóloga Katia Cristina Brito - CRP 06/112126Formação: Psicóloga com mais de 15 anos de experiência, com atuação clínica voltada ao atendimento de adultos e adolescentes. Possui formação com enfoque psicanalítico e especialização em Neuropsicologia, com atualização constante em neurociências e saúde mental.
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