Como lidar com as birras do seu filho?

Como lidar com ataques de birra do seu filho

Todos nós já presenciamos a desagradável cena de uma criança aos berros no meio de um shopping ou parquinho e pensamos que a culpa era dos pais. Certo? Sim, certíssimo. Cabe aos pais o controle das birras dos pequenos, mas em vez disso é comum a mãe ou o pai lançar um olhar complacente ao entorno como quem diz “ele é assim mesmo” ou então perder também as estribeiras e acabar descontrolado. Até dá para entender, afinal, em público, muita gente não sabe como agir. Mas a questão é que o problema não está ali, naquela hora em frente ao público, mas sim em casa, no dia a dia.

Mas afinal, qual o motivo da birra?

A princípio, a manha pode acontecer por qualquer motivo: uma vontade não satisfeita, teimosia, até sono. Mas além desses motivos superficiais costumam haver outros bem mais profundos. Pais que não sabem impor limites costumam ser o mais comum deles, afinal para muita gente dizer não é uma verdadeira dificuldade.

Os pais simplesmente se esquecem que dizer não é um ato de amor, é quando as crianças começam a conhecer seus limites. E não se engane, elas testam até onde podem ir. Ser firme ao dizer não é mostrar, dentro de casa, o que o mundo acabará mostrando lá fora, que todos temos que respeitar determinadas regras, seja para o nosso próprio bem-estar ou o dos outros. E que ninguém pode ter tudo o que quer. Não é melhor seu filho aprender isso cedo, por você?

As crianças também podem fazer birra por alguma carência que os pais ainda não conseguiram identificar; às vezes a ausência acentuada de um ou de outro, alguma insegurança ou qualquer outro motivo, mas seja o que for, a apatia dos pais em relação à birra é o pior remédio.

Sem limites, as crianças se perdem

Que educar dá trabalho, disso não há a menor dúvida, mas muita gente se esquece que a educação deve começar e ter sua base em casa – não na escola, que deve ser um complemento. É em casa que os maiores exemplos são dados, é em casa que estão seus super-heróis (o pai e a mãe), é em casa que a criança mais deve sentir-se segura, e é em casa que os pais devem impor limites, saber dizer não e não se deixarem ser testados. Nada de gritos, de falta de paciência nem da ausência ou aquiescência complacente. Sem limites as crianças se perdem, não se reconhecem, não se sentem amadas.

O carinho e o respeito com os pequenos são fundamentais nessa postura, que pode parecer rígida a princípio, mas ajudará a transformar a criança birrenta de hoje no adulto sensato de amanhã. Deve haver um acordo entre os pais, mesmo que morem separados, de um nunca desautorizar o outro, de nunca confundirem autoridade com autoritarismo.

Mesmo no auge da crise de birra, naquela hora em que a paciência parece ser sugada até a última gota, é importante não ceder, de forma carinhosa, mas firme, porque é justamente quando ela mais precisa de calma e firmeza.

A intimidade entre pais e filhos é fundamental

A vida está cada vez mais corrida, o tempo às vezes parece curto até para dormir, mas ele jamais deve ser curto para criar vínculos de amor e intimidade com os filhos. Nos períodos em que puderem estar juntos, privilegie a proximidade, a qualidade da relação. Não procure compensar o tempo longe com presentes, mas com atitudes.

Brinque de rolar no chão, guerra de travesseiros, entre no seu pequeno mundo e deixe-o entrar no seu. Assim vocês aprenderão a se comunicar com o olhar, a “ler” o pensamento um do outro, a se compreenderem cada vez mais. Ficará muito mais fácil ela entender a hora de brincar, de parar, de dormir, do que pode e do que não pode.

Da mesma forma, nunca minta para o seu filho, não prometa o que não pode cumprir, não esqueça um compromisso. Pequenas decepções evitáveis causam revolta que involuntariamente transformam-se em manhas, em comportamentos desagradáveis. É essencial assumir a sua parcela de responsabilidade nessa mudança de comportamento do pequeno e, se for preciso, na sua também. Afinal, todos já fomos crianças e, se olhar bem de perto, ainda temos nossas próprias birras. Só que agora as guardamos para nós mesmos.

Autora: Thaiana Brotto (Psicóloga CRP 06/106524)

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