O que um psicólogo faz?

Perguntas como O que o psicólogo faz? Como são feitos os atendimentos? Como escolher o melhor psicólogo? são dúvidas frequentes. Por isso, essa página com 10 tópicos poderá responder essas e outras perguntas, desde quais são os resultados do processo terapêutico até saber o que falar numa primeira consulta com o psicólogo.

Clique nos tópicos de 1 a 10, logo abaixo, para expandi-los.

1. Introdução

Já foi demonstrado em diferentes estudos que mais de um quarto dos adultos apresentam algum problema, como depressão, ansiedade ou qualquer outro transtorno. Além disso, existem doenças graves, hábitos nocivos, problemas de relacionamentos e uso de substâncias que podem causar debilidades físicas e emocionais.

Como a psicologia pode ajudar as pessoas?

Quando procurar um psicólogoAtravés da psicoterapia, o psicólogo auxilia pessoas das mais diversas faixas etárias a aprender a trabalhar os seus problemas e alcançar maior qualidade de vida e saúde.

Procedimentos certificados cientificamente são utilizados para desenvolver hábitos saudáveis e eficazes. Várias são as abordagens utilizadas na psicoterapia, tais como cognitivo-comportamental, Gestalt-Terapia, interpessoal, terapias de conversa, que trabalham os problemas trazidos pelos pacientes.

Baseada no diálogo e na relação entre paciente e psicólogo, a psicoterapia oferece a oportunidade de falar abertamente com alguém neutro. E, importante, sem julgamento a respeito de questões que afetam o paciente, levando-o a identificar e modificar padrões comportamentais e mentais com o intuito de se sentir melhor aos poucos.

Ao final da terapia, o paciente terá adquirido novas habilidades para lidar com dificuldades e desafios que talvez voltem a aparecer futuramente.

Quando procurar um psicólogo?

Alguns tabus e mitos ainda cercam a psicoterapia – sem falar no receio – e limitam muitas pessoas a recorrerem a esse tipo de tratamento. Mas cada vez mais pacientes percebem a importância de procurar ajuda profissional de qualidade para enfrentar questões importantes do cotidiano.

Os variados motivos que levam as pessoas a procurar a psicoterapia:

  • Relacionamento e Terapia de Casal;
  • Questões relacionadas ao crescimento profissional e pessoal;
  • Depressão;
  • Ansiedade;
  • Irritabilidade;
  • Doenças crônicas que influenciam emocional ou fisicamente;
  • Outros fatores que causam transtornos e que precisam de ajuda para ser tratados;
  • Casos de divórcio;
  • Perda de entes queridos;
  • Sobrecarga do trabalho.

Sinais de necessidade do trabalho do psicólogo:

  • Sensação prolongada de tristeza e desamparo;
  • Persistência dos problemas apesar de todo esforço e da ajuda de amigos e familiares;
  • Dificuldade de concentração nas atividades do dia a dia e no trabalho;
  • Preocupações excessivas, sensação de estar sempre no limite e pensamento negativo;
  • Consumo excessivo de álcool, uso de drogas e agressividade.

Quais os tipos de psicoterapia?

Como já dissemos, a psicoterapia apresenta várias abordagens. Elas são escolhidas pelos psicólogos dependendo do caso do paciente. O profissional se baseia em teorias que fornecem um roteiro para auxiliar a entender o paciente e desenvolver a estratégia de tratamento que melhor se adapte. O tipo de terapia aplicada depende de alguns fatores, tais como a pesquisa psicológica, a orientação teórica do psicólogo e o que funciona melhor para o paciente em questão.

A linha de teoria da psicologia seguida pelo terapeuta é que determinará como será a abordagem do tratamento. Por exemplo, um psicólogo que segue a linha da terapia cognitivo-comportamental aplicará um tratamento prático em que o paciente terá que desenvolver habilidades e tarefas que o auxiliem no enfrentamento das situações.

Ele poderá propor a anotação de reações diante de determinadas situações, o enfrentamento de fobias através de treinamentos ou até mesmo o aprendizado por meio de leituras específicas. Já uma abordagem psicanalítica e humanística levará a um terapia em que o diálogo é priorizado e as sessões consistem na discussão de experiências que levem o psicólogo a entender as causas dos problemas do paciente para então ajudá-lo a resolver.

O psicólogo pode ainda combinar os diversos estilos, o que ocorre na maioria das vezes quando as teorias são misturadas para adaptar o tratamento à necessidade do paciente. O importante é ter consciência de que o psicólogo possui a experiência e o conhecimento necessários para ajudar na área específica que o paciente necessita.

2. Encontrando um psicólogo

Formação do psicólogo

Psicólogos são profissionais especializados e treinados para atuar nas diversas formas de tratamento psicológico e possuem experiência em avaliar, diagnosticar e tratar a saúde mental e as alterações comportamentais.

Após a graduação na faculdade, os psicólogos podem estudar, em média, mais sete anos até passar pela pós-graduação e obter o diploma de doutorado. Parte da formação educacional passa por estágio clínico supervisionado em hospitais ou ambientes de saúde que disponibilizem este tipo de profissional. Só depois disto tudo é que estão realmente aptos para iniciar a carreira profissional.

Encontrando um psicólogoEssa é a diferença entre o psicólogo profissional e prestadores de serviços relacionados à saúde mental.

Como a maioria das profissões, a de psicólogo também é regulamentada por lei federal, a fim de proteger o público e garantir que somente profissionais devidamente qualificados tenham o direito de atender pacientes.

Como buscar um psicólogo?

Existem algumas opções, mas normalmente a mais utilizada é seguir a indicação de alguém que conhece ou já fez algum tratamento psicológico e que possa sugerir o psicólogo que o atendeu. Procure a indicação de pessoas confiáveis, amigos ou familiares, que poderão te levar a um bom profissional.

O seu médico de rotina também pode ser uma fonte de indicação, pois certamente ele conhece bons profissionais.

Se o caso for algum tipo de litígio, como divórcio, por exemplo, o seu advogado também deverá conhecer algum psicólogo especializado em atender este tipo de necessidade específica.

Sites que reúnem nomes e endereços de vários psicólogos ou consultórios de psicologia, a associação de psicologia da cidade e até as universidades ou faculdades de psicologia podem também oferecer ajuda na busca por um profissional.

A não ser que você tenha que ficar restrito às opções disponibilizadas pelo seu plano de saúde, a oferta de profissionais e consultórios de psicologia é bastante grande.

Onde encontrar o psicólogo ideal?

Parece redundante, mas existe uma diferença sutil entre os verbos encontrar e buscar.

A partir das indicações você terá algumas sugestões de profissionais. Porém, é importante encontrar aquele psicólogo que se encaixe em sua necessidade e em que haja empatia na relação profissional-paciente, para possa ele administrar um tratamento efetivo.

Procure informações a respeito dos psicólogos que lhe foram indicados. Algumas perguntas básicas importantes são: Quanto tempo eles clinicam? Qual é a experiência deles? Eles possuem clínica própria ou trabalham com um grupo de profissionais? Qual linha teórica seguem e qual abordagem terapêutica preferem?

A internet pode também ser uma fonte de informação. Procurando a partir do nome do profissional, certamente você encontrará opiniões a respeito dele e do trabalho que exerce.

Essa busca é importante para que você se previna contra possíveis profissionais que já tenham algum problema em sua carreira ou que não estejam devidamente aptos para exercer a profissão. Somente a partir da primeira conversa você saberá se encontrou o psicólogo certo. Mas lembre-se que toda pesquisa que puder ser feita previamente ajudará no processo.

3. Selecionando um psicólogo

Entramos agora na terceira parte da nossa série de 10 textos a respeito da psicologia e do seu funcionamento. No artigo anterior vimos dicas de como encontrar um psicólogo. Neste terceiro texto, vamos mostrar a melhor forma de selecionar o psicólogo mais adequado, quais as questões que devem ser levadas em conta no momento de escolher um profissional de psicologia para lhe auxiliar e quais as perguntas mais apropriadas para esse momento de escolha.

Selecionando um psicólogoDe acordo com o DIEESE, em pesquisa de amostragem realizada em 2014, cujo resultado foi apresentado em 2016, havia no Brasil naquele ano 146.721 psicólogos. Três anos depois, essa quantidade deve ter aumentado ainda mais. Com tantos profissionais no mercado, como selecionar o mais apropriado para você?

Empatia e confiança. Essas são a chave para o tratamento psicológico dar certo. Para isso, é importante que você conheça um pouco do profissional antes de escolher aquele com quem realizará o tratamento.

Conforto e segurança

Você pode montar um pequeno questionário com perguntas relevantes a serem respondidas em uma primeira consulta ou até mesmo fazer uma entrevista por telefone. O recomendado é que você se sinta confortável, seguro e que o profissional inspire confiança para que você possa abrir os seus problemas para ele.

Primeiramente, você precisa responder algumas questões a respeito de si mesmo e do que busca na psicoterapia, como, por exemplo:

  • A psicoterapia será feita sozinha ou com mais alguma pessoa?
  • Quais os seus objetivos com essa terapia?
  • Você tem condições de arcar com os custos financeiros do tratamento?
  • Qual a localização esperada do consultório, para não gerar transtornos e custos com transporte?
  • Qual sua disponibilidade de tempo e horários para as consultas?

Como selecionar um psicólogo?

Como mencionado acima, algumas questões práticas podem ser feitas em uma primeira conversa, para que você conheça um pouco mais sobre o psicólogo:

  • Ele está aceitando novos pacientes? A procura por profissionais de psicologia, em geral, está muito grande atualmente e alguns se encontram sobrecarregados de pacientes e deixam de aceitar novos para manterem um bom nível de qualidade no atendimento.
  • Que gêneros e faixa etária ele atende?
  • Ele é um psicólogo licenciado?
  • Quanto tempo tem de experiência na prática da psicoterapia?
  • Qual a especialização dele?
  • Ele tem experiência em tratar do tipo de problema que você apresenta?
  • Quais tipos de tratamentos utiliza e qual a taxa de eficácia em casos como o seu?
  • Quais são os valores das consultas e política de pagamento?

Outras questões, de natureza ética, também são importantes de serem resolvidas antes do início do tratamento, como por exemplo: Se você tem algumas opiniões ou conceitos religiosos e de cultura arraigados, verifique qual a percepção do psicólogo diante delas, para que não venha a ser um ponto de conflito.

Durante esta conversa, além de você conhecer alguns pontos-chave sobre o psicólogo, ele também estará avaliando se é o profissional certo para lhe ajudar ou se deverá encaminhá-lo para algum colega que tenha maior conhecimento na área que você necessita. Será um momento também para analisar se há empatia entre vocês, o que implicará diretamente no resultado do tratamento.

4. Começando a terapia

Você já obteve algumas informações nos outros tópicos que podem te auxiliar a encontrar um profissional de psicologia, o psicólogo. A partir deste tópico vamos ver como é a terapia começando pra valer, de forma prática.

Terapia começando: aspectos práticos

Começando a terapiaVocê já decidiu que fará consultas e escolheu o profissional responsável pelo tratamento, mas, antes do primeiro encontro para determinar o início do atendimento com o psicólogo, é necessário observar as condições financeiras e as mais variadas formas de pagamento para realizar o tratamento.

Formas e condições de pagamento:

Veja, a seguir, quais são os principais meios que você poderá utilizar para custear a manutenção da terapia com um psicólogo.

Particular:

Se você vai realizar o tratamento de forma particular, verifique com o psicólogo qual o valor das consultas e as condições de pagamento antes de marcar a sua consulta. Se vale a pena pagar a cada sessão ou se o pagamento à vista ou de uma parte maior garante algum desconto. Veja se o pagamento pode ser feito com cartão de crédito ou apenas em dinheiro ou depósito bancário. Muita gente não gosta de falar em dinheiro, mas a questão do pagamento é um ponto importante ao começar a terapia.

Plano de Saúde:

Muitos planos de saúde oferecem reembolso para consultas de psicoterapia. Verifique no seu cartão do plano o telefone de contato e tire suas dúvidas, observando:

  • Se o plano cobre este tipo de tratamento;
  • Se você pode livremente escolher o profissional. Peça uma lista de psicólogos credenciados para que você possa fazer sua escolha;
  • Quais os tipos de tratamento que são cobertos e quais os que não possuem cobertura?
  • O sistema é com coparticipação, ou seja, você terá que pagar uma parte ou o plano cobre todos os custos?
  • No caso de coparticipação, qual o percentual que você deverá pagar e como será realizado este pagamento: à vista ou em parcelas à medida que o tratamento acontece?
  • Existe um limite para o tempo de tratamento ou número de sessões? Esta informação é importante porque a psicoterapia pode se prolongar por um tempo maior do que o previsto inicialmente.

SUS – Sistema Único de Saúde

O SUS cobre os custos do tratamento que você necessita? O sistema disponibiliza o atendimento com o profissional que você escolheu ou você terá que optar por algum psicólogo indicado pelo sistema?

Você tem condições de aguardar até a disponibilidade de vaga para consulta, o que pode ser bastante demorado via SUS, ou sua necessidade é urgente? Neste caso é melhor procurar por outras opções de pagamento.

Seguro saúde:

Algumas companhias de seguro disponibilizam o atendimento de saúde mental quando a necessidade for comprovada. Vale primeiramente conhecer quais são as condições impostas pela sua companhia e ver se o seu caso está dentro das restrições ou se você poderá utilizar este recurso para custear a terapia.

Benefício trabalhista:

Algumas empresas, dependendo do caso, podem custear programas de assistência psicológica a seus colaboradores e dependentes. Vale pesquisar se a empresa onde você trabalha oferece esse benefício e se o seu caso está adequado às normas de participação.

Centros comunitários:

Existem associações, centros comunitários, programas de treinamento para universitários e até clínicas que oferecem esse tipo de atendimento gratuitamente. Se você não tem condições de arcar financeiramente com a terapia, verifique se a sua cidade dispõe de algum serviço gratuito ou de baixo custo.

5. Providências antes da primeira consulta

Chegamos à metade da nossa série de 10 tópicos sobre psicologia e o seu funcionamento. No quinto tópico, vamos tratar sobre o primeiro encontro com o psicólogo, que providências você deve tomar antes da primeira consulta e como se preparar para ela.

Providências Antes da Primeira ConsultaO seu primeiro contato com o psicólogo pode ser por telefone. Será o momento em que vocês falarão rapidamente sobre questões do tratamento e perfil do profissional. Você explicará um pouco sobre a sua necessidade e a ocasião servirá também para verificar a possibilidade de agendar um primeiro encontro.

A ideia de iniciar uma terapia e abrir as suas fraquezas a alguém que você mal conhece pode gerar certo nervosismo, o que é absolutamente normal. Mas, depois das primeiras consultas e de conhecer o psicólogo, você se sentirá mais confortável e seguro.

Agendando com o psicólogo

Quando for agendar o primeiro encontro com o psicólogo, leve em consideração alguns pontos, tais como:

  • O seu relógio biológico: leve em conta o período do dia em que você está mais disposto, bem acordado e procure agendar neste horário.
  • Horário de trabalho: verifique se a empresa permite agendar a consulta para o seu horário de trabalho e se deve pedir um atestado médico. Caso contrário, procure agendar a consulta para um horário próximo ao término do seu expediente. Assim você não necessita retornar ao trabalho e pode ir para sua casa. É que a primeira consulta pode causar algum impacto ou emoção mais forte.
  • Filhos: se você tiver filhos pequenos, procure marcar um horário em que eles estejam na escola ou sob os cuidados de alguém. Não há como levá-los à consulta.
  • Compromissos: procure agendar a sua consulta em um horário em que você não tenha compromisso depois. Isso o deixará mais tranquilo para se concentrar no primeiro atendimento sem distração ou preocupação com o tempo.

Preparação para o primeiro encontro com psicólogo

Ao agendar a consulta, pergunte ao psicólogo se é necessária alguma preparação e como ela deve ser feita. Ele pode lhe dar algumas orientações, tais como:

  • Consultar seu plano de saúde ou seguro saúde, para verificar as questões referentes à cobertura e forma de pagamento, além de se informar se a cobertura é total ou via coparticipação.
  • Preencher algum formulário prévio que seja disponibilizado no site do consultório ou tomar conhecimento dos aspectos contratuais do tratamento a ser realizado.
  • Fazer uma lista com as questões que você tem dúvida e quer perguntar a respeito do tratamento, duração, medicamentos (lembrando que psicólogos não receitam medicamentos e falaremos disso mais pra frente), literatura de apoio, etc.
  • Se informar previamente sobre a terapia: converse com amigos que já tenham passado por esse tipo de tratamento ou leia a respeito. Caso você já tenha passado por alguma terapia, lembre-se dos pontos que gostou e não gostou para poder apresentar ao psicólogo.
  • Estar disposto: mesmo que você não acredite muito na terapia ou esteja indo somente porque alguém o convenceu, esteja aberto a experimentar e aproveitar a oportunidade, que certamente ajudará no seu autoconhecimento.

6. Iniciando a primeira consulta

Neste tópico vamos falar da psicoterapia em si e sobre iniciar o tratamento com a primeira sessão de terapia. Saiba que a ansiedade e o nervosismo gerados pela primeira consulta com um psicólogo são absolutamente normais. Saber antecipadamente o que vai acontecer, no entanto, te ajuda a se manter calmo.

Preciso levar algo na primeira consulta com o psicólogo?

Normalmente, a sessão de psicoterapia leva em torno de 45 a 60 minutos. Para aproveitar ao máximo o tempo, você pode ir preparado com uma lista do que quer falar na primeira consulta e quais os pontos que deseja trabalhar. Prepare-se para conversar com o psicólogo a respeito do que o está levando a buscar o tratamento.

Iniciando a Primeira ConsultaSe você estiver indo ao psicólogo por indicação de outro médico, advogado ou mesmo algum professor devido a algum problema de aprendizado, é interessante levar um laudo ou parecer do profissional para que o psicólogo possa ter uma melhor visão do que está levando você a procurá-lo. Em alguns casos, o psicólogo poderá inclusive contatar o profissional que o indicou para uma conversa.

Leve também informações a respeito de algum medicamento que você por acaso esteja fazendo uso.

Um caderno pode ser útil para você anotar perguntas e parte do que será dito a você durante a sessão de psicoterapia. Tomar nota ajuda a lembrar posteriormente o que foi tratado e a manter você envolvido com o tratamento.

Lembre-se de levar a documentação necessária para fazer o pagamento, seja o cartão do plano de saúde ou outra forma, como o cartão do seu banco, dinheiro em espécie ou talão de cheques.

Iniciando o tratamento: o que esperar?

Como dissemos no início, ansiedade e um pouco de insegurança a respeito da primeira sessão são absolutamente naturais. Mas, fique tranquilo, porque os psicólogos são habituados com essa situação e sabem exatamente como proceder para te deixar mais à vontade e tirar proveito já no primeiro encontro.

Muito provavelmente, nessa primeira consulta, o psicólogo fará uma série de questões, principalmente para reconhecer o que está levando você a procurar ajuda. Através das suas reações ao responder às perguntas, ele poderá identificar o seu problema, mesmo que você ainda não saiba contar o que provoca determinados sentimentos.

Se para você, algo for muito doloroso ou difícil de compartilhar logo na primeira sessão, o psicólogo não irá forçá-lo. Ele vai trabalhar a questão de forma que você fale a respeito quando se sentir à vontade.

Muitas perguntas fazem parte da primeira sessão de terapia

Além do seu problema, o psicólogo irá perguntar se existe algum antecedente de problemas psicológicos em sua família, tais como depressão, ansiedade ou algum outro distúrbio. O seu problema também será avaliado por meio de perguntas. O psicólogo vai querer saber se você tem tido alterações no comportamento, como oscilações no sono e de apetite.

Perguntas sobre o seu convívio familiar e círculo de amizades também serão feitas. O psicólogo precisa saber como é a sua rede de contatos sociais.

Uma dica: durante a primeira sessão, não tenha pressa em falar sobre todos os assuntos. O tratamento normalmente se prolonga por algumas sessões e, à medida que você for ganhando confiança e liberdade, os assuntos poderão ser expostos e tratados com naturalidade.

Plano de tratamento feito entre o psicólogo e você

Depois de conhecer a sua história, o psicólogo irá, juntamente com você, elaborar um plano para o tratamento, traçando as metas para que ambos estejam envolvidos a alcançar os objetivos e resultados. Há alguns psicólogos que elaboram, inclusive, um contrato especificando o objetivo do tratamento, a duração prevista e os resultados esperados, delimitando as responsabilidades do médico e do paciente.

Algumas ações podem ser indicadas já ao final da primeira consulta. Se você estiver com algum sintoma, como depressão ou dores, o psicólogo poderá lhe indicar alguma atividade ou até a consulta com um médico psiquiatra para complementar o tratamento.

7. O processo psicoterapêutico

Neste tópico vamos tratar da psicoterapia ou processo terapêutico. Vamos ver como ela começa e como é o seu desenvolvimento.

O que esperar da psicoterapia?

Na psicoterapia, você e o psicólogo terão muito diálogo a respeito dos seus problemas e conflitos, procurando administrá-los de forma a melhorar a sua qualidade de vida. O simples ato de conversar pode trazer alívio ao paciente e é neste momento de diálogo que o psicólogo irá explorar a raiz dos seus problemas. Nas primeiras consultas, o psicólogo ajuda a esclarecer o que te preocupa e, a partir daí, começa o trabalho para juntos chegarem a uma solução para as dificuldades.

O processo psicoterapêuticoVocê passará, então, por novas formas de pensar e de trabalhar seus sentimentos, utilizando, inclusive, técnicas na realização de algumas tarefas do cotidiano e adquirindo novas habilidades. Os resultados desses exercícios e diálogos serão avaliados para verificar se estão sendo eficazes ou se necessitam de reformulação.

Com o andamento da terapia, o psicólogo poderá sugerir alguns testes para avaliar o processo. Não se preocupe, pois os psicólogos são aptos para, através destas avaliações, interpretar algumas características de sua personalidade, como está o grau de depressão e até descobrir problemas como alcoolismo ou outros vícios.

Se o seu problema for de relacionamento com cônjuge, filhos ou algum outro familiar, o psicólogo pode sugerir que a terapia seja feita com o envolvimento desta pessoa. A terapia em grupo também funciona bem para quem tem problemas em se relacionar com outras pessoas.

A psicoterapia proporciona resiliência e, assim, você conseguirá lidar melhor com os futuros desafios. Estudos mostram que a abordagem cognitiva e comportamental utilizada pela psicoterapia para tratar a ansiedade e a depressão tem efeito no longo prazo e reduz as chances de os sintomas voltarem após o fim do tratamento.

Como aproveitar a psicoterapia ao máximo?

A psicoterapia é um trabalho conjunto entre você e o psicólogo. É uma relação de colaboração e confiança que faz com que o tratamento funcione. Por isso, é importante que exista uma aliança, na qual paciente e psicólogo para que trabalhem juntos e alcancem o resultado esperado por ambos.

Ser um paciente ativo e participante, envolvido no processo, é muito importante. Contribua no estabelecimento das metas para o tratamento. Trabalhe em conjunto com o psicólogo na criação de um cronograma. Pergunte sobre o planejamento e evolução do seu tratamento.

Converse sobre o que lhe incomoda na condução das sessões. Esse retorno é importante para o psicólogo. Peça sugestões de materiais complementares que possam lhe ajudar no tratamento.

Garantia de confidencialidade

O sigilo é parte do código de ética dos psicólogos e a privacidade do paciente é condição para ele exercer sua profissão. Violar a confidencialidade de um paciente pode levar à perda da licença para clinicar.

Para que a psicoterapia realmente apresente os resultados esperados, é fundamental que você tenha completa confiança em seu psicólogo e fale até mesmo sobre os assuntos mais privados. Pode ser constrangedor, mas o seu psicólogo manterá o sigilo, a não ser que seja um caso que precise ser denunciado às autoridades competentes.

8. Psicoterapia e medicação

Nesse tópico trataremos um pouco sobre a medicação: quando, como e por que os remédios são receitados em alguns casos e em outros não? Vale lembrar que, de acordo com a legislação vigente em nosso país, somente os médicos estão autorizados a receitar determinadas drogas. Os psicólogos, ao perceberem a necessidade de medicação, devem encaminhar o seu paciente a um psiquiatra que possa avaliar o caso e ministrar o medicamento.

Psicoterapia e MedicaçãoNo Brasil, lamentavelmente, a automedicação se tornou uma questão cultural. Muitos enxergam no medicamento o alívio imediato para suas dores, tristezas, ansiedades e medos. Por este motivo, acabam tomando remédios sem a devida prescrição médica. Este tipo de atitude pode ter várias consequências graves.

No caso de distúrbios psicológicos, os medicamentos sugeridos por amigos e até mesmo por farmacêuticos, clínicos e enfermeiros podem não ser eficazes porque estas pessoas não possuem o conhecimento necessário para tratar destes casos, que na maioria das vezes precisam de psicoterapia. E, em algumas ocasiões, a psicoterapia deve ser complementada com remédios receitados por psiquiatras.

A medicação funciona?

Dependendo do distúrbio, é necessário ministrar a medicação. Um exemplo são os casos de depressão grave, transtorno bipolar e esquizofrenia. Há situações, inclusive, que o paciente precisa apenas de uma medicação para dormir, já que o sono ininterrupto e de longa duração é muito importante para que a pessoa tenha mais clareza durante o dia para enfrentar seus problemas.

Mas há, também, determinadas situações, quando, além de não ser necessária, a medicação passa também a não trazer resultados. O uso de antidepressivos, por exemplo, para algumas pessoas, pode fazer efeito somente por um curto período, mas não terá a eficácia esperada no longo prazo. Em alguns casos, após parar com a medicação, os problemas permanecem ou voltam com força total.

Por isso que a psicoterapia é fundamental. Ela é uma ferramenta extremamente importante para ajudar as pessoas a mudar o seu comportamento, adquirir novas estratégias e habilidades para lidar com os problemas no momento atual e futuro.

Quando a medicação é necessária?

Se você tem relacionamentos saudáveis e desempenha os seus papéis no trabalho, na escola e em casa, dificilmente necessita de medicação. A psicoterapia sozinha pode ser muito eficaz.

Algumas pessoas chegam a utilizar a medicação para se tornarem capazes de se envolver com a psicoterapia. O remédio pode, sim, auxiliar, principalmente nos casos de doenças mentais mais graves. Existem ainda casos em que a combinação da psicoterapia e medicação funciona perfeitamente.

Quem pode indicar a medicação: psicólogo ou psiquiatra?

Seu psicólogo será capaz de observar caso você venha a necessitar de medicação e, neste caso, ele irá lhe encaminhar para um clínico especializado ou um psiquiatra para a obtenção de uma abordagem que melhor se adapta à sua necessidade.

Aqui no Brasil, os psicólogos não têm permissão para receitar medicamentos. Fique atento para este fato. O tratamento com psicólogo é realizado através dos vários tipos de abordagem psicológica. Quando perceber a necessidade ou o benefício que determinado medicamento poderá ter sobre o paciente que está sendo tratado, ele deve encaminhá-lo a um psiquiatra.

O psiquiatra, por sua vez, faz uma abordagem baseada também no diálogo, para identificar causas e sintomas e a partir daí identifica que tipos de medicamentos poderão auxiliar o tratamento e por quanto tempo.

Esse trabalho conjunto costuma trazer resultados eficientes e duradouros. Portanto, consulte o seu especialista antes de tomar qualquer medicamento.

9. Avaliando a eficácia da psicoterapia

Este é o nosso penúltimo tópico sobre psicólogo, psicologia e o seu funcionamento. Vamos, agora, tratar da eficácia da terapia e saber como o tratamento com o psicólogo pode atuar de forma mais efetiva na resolução dos problemas do que uma simples conversa com amigos ou familiares.

Por que fazer terapia?

A psicoterapia é uma prática muito mais abrangente do que apenas ir a um consultório para “bater papo” com o psicólogo. Um profissional com anos de formação e experiência sabe conduzir a conversa de forma a encontrar a raiz do problema. Além disso, o psicólogo consegue analisar traços de personalidade e observar características do paciente que são fundamentais para evitar a repetição de comportamentos nocivos à saúde mental e emocional do indivíduo. A psicoterapia, portanto, encaminha os pacientes a um processo profundo de autoconhecimento e, consequentemente, melhora a qualidade de vida dessas pessoas. E muitas são as evidências de que a terapia tem um resultado eficaz.

Qual a eficácia da terapia?

Existem centenas de estudos mostrando que a terapia auxilia as pessoas a realizarem mudanças positivas nas suas vidas. Em torno de 75% das pessoas que passam pela psicoterapia garantem o seu benefício e 80% alcançam a cura se comparado com aqueles que não passam por este tratamento. Três são os fatores que, trabalhados juntos, garantem o sucesso do tratamento:

  • Base em evidências e exemplos de que o tratamento aplicado se enquadra ao problema apresentado pelo paciente;
  • Experiência clínica do profissional;
  • Características, valores, preferências e cultura do paciente.

Avaliando a eficácia da psicoterapiaNo início do tratamento a pessoa pode ficar um pouco em dúvida sobre o seu funcionamento. A sensação é de que seu sofrimento não terá fim. Porém, ao longo da terapia, ela verá que, com a mudança de comportamento, conseguirá mudar a vida para melhor, passará a se expressar com mais desenvoltura sobre os próprios sentimentos, terá relacionamentos mais saudáveis e, por fim, será uma pessoa mais positiva e feliz.

Logo que começa o trabalho, o psicólogo, em parceria com o paciente, elabora um conjunto de metas e um cronograma para desenvolver o tratamento. É importante que haja total sinergia e empatia entre psicólogo e paciente, para que este possa sentir a evolução do tratamento à medida que ele avança.

Avaliação do psicólogo e tratamentos alternativos

Normalmente, a melhora começa a ser sentida a partir da sexta sessão. Caso não seja percebida nenhuma mudança, o ideal é conversar com o psicólogo sobre esta percepção. Dependendo da avaliação do profissional, outros tratamentos alternativos podem ser adicionados para que o paciente se sinta mais seguro.

É importante conversar sempre sobre todos os aspectos com o psicólogo, lembrando que ele não está ali para julgar, mas para ajudar a resolver conflitos.

Muitas vezes você pode ter a sensação de que não há progresso no tratamento e que continua se sentindo oprimido. O que ocorre é que o psicólogo está provavelmente te levando por um caminho que pode ser doloroso, mas que serve para o enfrentamento das verdades que levarão o paciente à mudança comportamental. Emoções fortes, muitas vezes, são um sinal de crescimento e não de que o tratamento não está surtindo efeito.

O psicólogo está correto?

Mas, quando realmente existem dúvidas se o tratamento que o psicólogo está propondo é o mais adequado, o indicado é buscar uma segunda opinião, informando o psicólogo atual sobre essa busca. Se estiver ciente da situação e do sentimento, ele mesmo pode encaminhar a um colega que possa se ajustar melhor à necessidade. O que não pode acontecer é simplesmente desistir da terapia.

10. Quando parar a psicoterapia

Chegamos ao último tópico. Aqui, você vai descobrir se já está pronto para encerrar o seu tratamento e desfrutar dos benefícios conquistados durante este tempo que passou com o psicólogo. As horas de conhecimento adquirido nas sessões irão lhe proporcionar meios de melhorar a sua qualidade de vida daqui por diante. Saiba também, ao ler este artigo, que o fato de parar com a psicoterapia não comprometerá o resultado obtido neste período de tratamento.

Quanto tempo vou levar para melhorar?

Cada caso depende de uma série de fatores, como o tipo de distúrbio, o histórico do paciente, as características dele, os objetivos, o que acontece com ele fora da psicoterapia e como é a sua capacidade em fazer progressos.

Quando parar a psicoterapiaPara alguns, o tempo de psicoterapia pode ser mais curto. Muitos, inclusive, percebem alívio já nas primeiras consultas, enquanto outros precisam de um número maior de sessões para identificar e tratar de seus problemas. Essa avaliação do tempo necessário somente o psicólogo pode determinar à medida que a melhora vai sendo percebida.

Em casos como os de ansiedade, por exemplo, o paciente pode melhorar apenas com a sugestão de mudança de atitude ou de perspectiva do problema. Após algumas sessões, você poderá se sentir confiante e com novas habilidades para enfrentar as situações.

Outros casos, como os de traumas mais graves, podem demorar um pouco mais, chegando até mesmo a um ou dois anos, para perceber os benefícios. O importante é que seja dado o tempo necessário à psicoterapia para que os resultados de melhora sejam percebidos.

Doenças mentais graves ou outras alterações de forte impacto podem precisar de sessões regulares e contínuas para manutenção das funcionalidades do dia a dia. Há muitas pessoas que, mesmo depois de alcançar os resultados esperados e resolver seus problemas, continuam a terapia porque ela as ajuda a administrar melhor sua vida e proporciona bem-estar.

Como sei se posso parar?

Este não precisa ser um compromisso para a vida toda. Estudos mostram que 75% dos pacientes melhoram após seis meses de terapia, mas isto não é uma regra.

Você e o seu psicólogo decidirão juntos qual é o melhor momento para parar com a psicoterapia. A partir de quando você perceber que aquele problema já não o incomoda mais e que os outros estão lhe dando um parecer positivo, você e seu psicólogo vão constatar que está pronto e já pode parar com a terapia.

Juntos, vocês vão avaliar se as metas e os objetivos estabelecidos no início do tratamento foram atingidos.

Continuidade do contato com o psicólogo

Depois de terminar a psicoterapia você não precisa romper definitivamente com seu psicólogo. Visitas periódicas podem ser saudáveis, seja para relatar como você vem progredindo e se sentindo após o término do tratamento, seja para algum ajuste que você considere necessário.

A terapia não precisa necessariamente ter início, meio e fim. A porta pode ficar aberta caso surjam novas questões em que você precise de ajuda para administrar ou ajustes de comportamento para lidar com um velho problema. O psicólogo já conhece o seu histórico e poderá, com certeza, lhe auxiliar em novas situações.

Além disso, um bate-papo com um velho amigo que conhece a sua história e sabe como ajudar a alcançar a melhor qualidade de vida sempre é um momento a ser desfrutado.

Autora: Thaiana Brotto (Psicóloga CRP 06/106524)

*Os textos do site são informativos e não substituem atendimentos realizados por profissionais.