Filhos, como abordar assuntos delicados

Filhos, como abordar assuntos delicados

Se você possui filhos, já deve ter tido pelo menos em algum momento, o “prazer” de ser questionado a respeito de uma ou mais perguntas como estas:

  • Como nascem os bebês?
  • O que acontece quando alguém morre?
  • Por que existem pessoas tão pobres?

Se você ainda não passou por esta situação, com certeza irá passar em breve, e se isso já aconteceu, você deve saber o quão difícil é responder de forma apropriada sobre assuntos delicados abordados pelas crianças.

Um exemplo muito claro e recente seria como explicar o que é terrorismo aos seus filhos, ou por que Paris foi atacada. Chega determinado momento em que nós pais nos questionamos: “O que fazer para não passar informação demais? Até onde vai a explicação para ser satisfatória?”.

Claramente ninguém quer chatear ou chocar nossos filhos com respostas que vão além da compreensão que sua idade pode assimilar. Desenvolvemos um guia para ajudar você a lidar melhor com assuntos delicados quando for questionado por crianças:

Seis dicas de como abordar assuntos delicados com seus filhos

Dica #1

Tente ser claro com você mesmo e sobre o que está sentindo. É provável que você também tenha sentimentos complicados com relação a determinados temas. Por isso, é importante que você entenda quais são esses sentimentos para que você possa atento ao falar com seu filho.

Se você se sentir muito desconfortável ou incerto sobre um assunto questionado pelo seu filho, não é preciso ficar nervoso ou forçar-se a respondê-lo de imediato. Você pode dizer: “Essa é uma boa pergunta. Deixe-me pensar sobre como eu posso responder da melhor forma possível, aí a gente volta a conversar.”

Dica #2

Tente não impor o seu sentimento ou opinião pessoal à criança ou adolescente. Por exemplo, quando trazer à tona um assunto difícil, escolha um linguajar neutro: “Eu tenho algo importante para conversar” ao invés de “precisamos falar sobre um assunto difícil”. Isso porque, se o seu filho sentir ansiedade em você, ele também se sentirá da mesma forma.

Dica #3

Psicólogos recomendam que você se esforce para aceitar o que o seu filho está sentindo, utilizando o máximo de empatia possível. A reação dele pode não ser o que você espera, portanto é necessário ter cuidado para não interpretá-lo de forma errada.

A reação de seu filho pode soar confusa ao saber da doença ou morte de um ente querido. Isso pode significar que ele não está pronto para compreender a realidade da situação.

Dica #4

Tente ser sensível ao desejo do seu filho sobre conversar quando estiver pronto. Espere ao máximo que seu filho aborde qualquer assunto para então discutir a respeito. Claro, isso acontece muitas vezes nos momentos mais inoportunos, como quando você estiver dando boa noite, cozinhando ou jantando. Não tenha medo de adiar a conversa até que você pense sobre o assunto e encontre o tempo necessário para discuti-lo com calma.

Embora muitas vezes seja sensato esperar até que a criança apareça com um tema delicado, às vezes é melhor você introduzir o tema de antemão. Por exemplo, com relação à adoção, é geralmente melhor introduzir o tema desde cedo, utilizando palavras que demonstrem que não há mistério.

Isso não quer dizer que não haverá perguntas difíceis a serem feitas posteriormente, mas a realidade básica de fazer parte de uma família que pode ser diferente de outras com qual a criança entra em contato, deve ser normalizada, como por exemplo: “Existem muitos tipos de famílias”.

Dica #5

Ouça atentamente o que a criança ou adolescente quer realmente saber. Por exemplo, “como os bebês nascem?” pode significar abordagens diferentes. Para uma criança, pode sinalizar a curiosidade sobre como os bebês saem da barriga da mãe, e para outras, pode significar o desejo de aprender sobre sexo. Para deixar tudo mais claro, você pode perguntar para seu filho “o que você já sabe a respeito?” ou “o que já te falaram sobre isso?”. Psicólogos especialistas em comportamento infantil enfatizam que é preciso saber o contexto que gerou a dúvida da criança, para aí então responder apropriadamente.

Além disso, não é necessário dar todas as informações de uma só vez, e para isso, os pais devem perceber o momento certo em que a criança demonstra já estar satisfeita com a explicação dada.

Dica #6

Se a família ou a criança estiver passando por um momento complicado e que exija uma explicação detalhada ou profunda, talvez seja interessante buscar o auxílio profissional de um psicólogo para saber exatamente como abordar o tema.

Casos como desastres, falência, doença na família, ou até mesmo casos relacionados ao seu filho como, por exemplo, “de que forma eu devo falar ao meu filho que ele precisa emagrecer?” ou “como eu devo perguntar para o meu filho se ele está sofrendo bullying na escola?”. Essas questões delicadas necessitam de aconselhamento psicológico para que não provoque traumas ou conflitos emocionais.

Discutir temas difíceis com o seu filho pode ser exaustivo. No entanto, se for possível seguir algumas das orientações básicas acima, você e seu filho podem ter uma experiência muito menos tensa, e muito mais gratificante.

Autora: Thaiana Brotto (Psicóloga CRP 06/101416)

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