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Depressão na adolescência: como os pais podem ajudar os filhos?

Depressão na adolescência: como os pais podem ajudar os filhos?

A depressão na adolescência pode deixar os pais imensamente preocupados. Esta fase é caracterizada por um súbito afastamento dos filhos. Em virtude da busca pela individualidade e posição na hierarquia social adolescente, eles evitam tudo que lembre dependência e infantilidade.

Querem mostrar aos outros que são donos de suas vidas e, sobretudo, sentir que estão no comando de suas decisões. Por isso, a partir da puberdade, o comportamento dos filhos passa a ser uma incógnita para os pais ou tutores. Segundo psicólogos, uma mudança radical de atitude é esperada, mas oscilações de humor inconstantes podem indicar alguma condição psicológica.

Então, como conversar com adolescentes sobre saúde mental sem afastá-los? Como identificar os sinais de depressão? Como convencê-los a fazer terapia? Embora as respostas para essas perguntas pareçam estar embaladas em mistério, podem ser encontradas com um pouco de paciência e reflexão.

Por que os adolescentes ficam depressivos?

Segundo um levantamento do Ministério da Saúde realizado em 2019, os casos de depressão na adolescência cresceram 115% em três anos. Os dados foram coletados de atendimentos do Sistema Único de Saúde (SUS), e não representam toda a parcela de indivíduos nessa faixa etária. Ou seja, essa porcentagem pode ser ainda maior.

Mas porque os adolescentes estão tão deprimidos?

Valor Consulta Psicóloga Marcela






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Muitos fatores corroboram para o declínio da saúde mental dos adolescentes. Essa fase da vida é marcada por muitas descobertas e transformações, podendo ser exaustiva por si só. A bagunça hormonal vivenciada pelos adolescentes durante esse período é capaz de produzir humores distintos, comportamentos impulsivos, agressividade, timidez, desejo sexual, entre outros. 

Por vezes, pode deixá-los mais suscetíveis a ter depressão, especialmente se o adolescente já demonstrava uma inclinação a ser negativo ou ansioso na infância.

As vivências dessa nova fase – namoros, amizades, festas, programas sociais, vestibular, aumento de responsabilidade, trabalho – também podem mexer com as emoções do adolescente e impactar a sua saúde mental de forma negativa. Se o ambiente familiar é rígido e cheio de cobranças, a probabilidade é ainda mais alta.

Como os adolescentes tendem a guardar tudo para si, especialmente os meninos, podem sofrer calados e fortalecer sentimentos e sensações incômodas sem ter a consciência disso. Esse comportamento sigiloso exige mais atenção dos pais para o estado mental e emocional dos filhos.

A adolescência também é o período em que os jovens estão mais abertos a novas experiências, como sexo, festas, uso de bebidas alcoólicas e substâncias ilícitas. Se não receberem uma boa orientação, podem não saber como reagir quando se depararem com a oportunidade de experimentar alguma delas. Assim, as chances de se envolverem em uma situação traumática é igualmente maior.

Como identificar a depressão na adolescência?

Pode ser complicado a princípio encontrar o equilíbrio entre ficar de olho nos filhos adolescentes e lhes conceder espaço.

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Por mais preocupado que os pais ou tutores estejam, precisam respeitar o direito a privacidade dos filhos. Caso contrário, podem acabar formando uma inimizade com eles e reduzindo ainda mais as oportunidades de receber informações sobre sua condição emocional.

Há adolescentes que não se sentem confortáveis em compartilhar detalhes de sua vida pessoal com os pais enquanto outros não veem problema nisso. Os adultos devem analisar a personalidade dos jovens e identificar a melhor abordagem para poderem se tornar conscientes de suas necessidades psicológicas.

Os comportamentos dos filhos que podem indicar depressão na adolescência são:

  • Falta de interesse em atividades sociais, cursos, prática de esportes, hobbies, ou qualquer coisa capaz de tirar o adolescente da cama;
  • Isolamento social não somente dos pais e familiares, mas de amigos também;
  • Fadiga constante e sem motivo aparente. Muitas vezes, o cansaço é interpretado pelos pais como preguiça, mas é possível que os filhos estejam cansados demais para concluírem tarefas simples;
  • Tristeza prolongada ao longo de meses;
  • Mudanças de humor;
  • Irritabilidade;
  • Ausência de entusiasmo pela vida e falta de motivação;
  • Dificuldade para tomar decisões, desde as simples até as mais complexas;
  • Queda no rendimento escolar (notas baixas, reclamações de professores, suspensões, envolvimento em brigas);
  • Baixa autoestima;
  • Mudança nos hábitos alimentares. O adolescente pode comer muito ou bem pouco, sinalizando também um possível distúrbio alimentar;
  • Insônia;
  • Falta de vontade de conversar ou conversas monossilábicas;
  • Ansiedade e inquietação;
  • Descaso com a higiene pessoal;
  • Abuso de álcool e/ou drogas; e
  • Comportamento distante e amuado, como se o jovem não estivesse prestando atenção aos seus arredores.

Nos casos mais graves, os adolescentes podem ter pensamentos e desejos suicidas. O suicídio é, de fato, a segunda principal causa de mortes entre jovens de 15 a 29 anos. Se os pais notarem o aumento do interesse por assuntos mórbidos, como casos de suicídio de celebridades e a morte em si, e de “brincadeiras” sobre morte ou suicídio, devem conversar com o filho sobre o assunto.

Quando levá-los para a terapia?

Como Escolher seu Psicólogo

Nesse guia completo você vai conhecer tudo sobre psicólogos e psicoterapia. A escolha do psicólogo certo para você envolve diversos fatores. Descubra aqui.

COMO ESCOLHER O SEU PSICÓLOGO

Assim que os pais identificarem os sinais já citados de depressão, podem contatar um psicólogo. Os adolescentes apresentam uma relutância natural à psicoterapia. Eles geralmente não gostam de falar sobre assuntos pessoais com uma pessoa desconhecida, especialmente se for um adulto, e não acreditam que a terapia pode ajudá-los.

Como os adolescentes costumam se sentir incompreendidos pelos adultos, eles nem se quer tentam expressar seus verdadeiros sentimentos para eles. É claro que, em alguns casos, o convite para fazer terapia pode ser bem recebido. Porém, é incomum não encontrar resistência.

Para facilitar o processo de levar o filho à terapia, os pais podem marcar uma consulta para conversar sobre a abordagem do psicólogo e suas preocupações com o adolescente. Depois, explicar a importância da terapia e como funcionam as consultas ao filho.

Também podem deixar claro que, quando as pessoas não conseguem resolver os seus problemas, buscam ajuda profissional para voltarem a se sentir bem. Dessa forma, o adolescente se sentirá menos envergonhado e não verá a ajuda psicológica como sinal de fraqueza. Cabe aos pais normalizarem o tratamento psicoterapêutico.

Mais de uma tentativa pode ser necessária para convencê-lo a falar com um psicólogo. Algumas barganhas também podem ser feitas entre pais e filho. Esse esforço é necessário para garantir um bom tratamento já que o ideal é que o adolescente escolha fazer terapia

Todavia, nem sempre esse cenário é possível.

Em casos mais graves (tentativa ou ameaça de suicídio ou depressão profunda), os pais devem levar o filho ao médico e ao psicólogo contra a sua vontade. Um sentimento ruim pode surgir com essa decisão, mas é preciso lembrar que é para o bem do adolescente.

Como ajudar os filhos com depressão?

Os pais ou tutores são essenciais para prevenir e combater a depressão na adolescência. Os jovens podem não reconhecer que estão deprimidos ou não aceitarem a depressão. A paciência, compreensão e amor são vitais para ajudá-los a se perceberem e a cuidarem de sua saúde mental.

O que NÃO fazer

A pessoa depressiva é muito sensível a acusações sobre seu comportamento, emoções e humor. As palavras direcionadas a ela devem ser “planejadas” para não causarem mais mal à sua saúde mental. Assim, os pais não devem:

  • Se referir ao adolescente como preguiçoso ou dramático;
  • Se referir à depressão como “frescura” ou “falta de trabalho”;
  • Cobrar atitudes positivas a todo instante;
  • Pressionar o adolescente além dos seus limites. Convites para atividades sociais são bem-vindas, mas não devem ser feitas sob pressão;
  • Acusar o adolescente de querer chamar a atenção;
  • Se referir ao tratamento psicológico como um fardo ou aborrecimento para a família; e
  • Ignorar os sinais de depressão.

O que fazer

Assistir um(a) filho(a) querido(a) lutar contra uma doença tão grave pode apertar o coração. Para ajudá-los em casa, os pais podem:

  • Demonstrar apoio durante o tratamento;
  • Ouvir o adolescente sem julgá-lo ou tentar modificar o seu comportamento;
  • Convidá-lo para saídas ou programas em família;
  • Relembrá-lo do quanto é importante para a família, os amigos e o mundo;
  • Trabalhar a sua autoestima com elogios;
  • Fornecer espaço quando necessário;
  • Demonstrar que o adolescente pode conversar sempre que quiser;
  • Mostrar interesse em sua vida pessoal, ideias e planos para o futuro; e
  • Comemorar as conquistas do adolescente, mesmo se elas forem pequenas.

Além da sessão inicial de apresentação, os pais podem ser requisitados pelo psicólogo a participar de consultas, seja com o filho ou individualmente. Essa participação é importante para o tratamento da depressão na adolescência e deve ser acatada.

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*Os textos do site são informativos e não substituem atendimentos realizados por profissionais.

Sobre Psicóloga Thaiana F. Brotto

CRP 106524/06. CEO do consultório Psicologo e Terapia. Graduação em Psicologia pela PUC-PR em 2008. Pós-graduação em Terapia Comportamental pela USP. E pós-graduanda em Terapia Cognitiva Comportamental pelo ITC

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