Por Julia Maschio
Psicóloga · CRP 06/195216
Publicado em 29/01/2020 · Atualizado em 15/07/2026
A adolescência é uma fase cheiade descobertas, novos aprendizados e muitos conflitos. Os adolescentes costumamviver em um mundo diferente e que, muitas vezes, entra em rota de colisão comos pais.
Mas não precisa ser sempre assim:neste artigo vamos mostrar que é possível estabelecer um bom relacionamentoentre adolescentes e pais nessa época tão importante da vida. No entanto,quando a relação se torna muito difícil ou transtornos emocionais ficamevidentes no convívio, vale procurar a ajuda de um psicólogo.
Sumário
- Pais e filhos adolescentes: como cuidar desta relação tão delicada?
- Psicoterapia para Adolescentes
- Fase de questionamentos
- Adolescentes são crianças e adultos, ao mesmo tempo
- Fortalecendo o relacionamento entre adolescentes e pais
- Principais motivos de procura por Terapia para Adolescentes
- A importância do apoio de um psicólogo nesta fase
A adolescência é uma fase difícil. Difícil para todo mundo: para os pais, que não entendem muitas coisas e, consequentemente, não sabem como lidar com as situações do dia-a-dia.

Para os parentes, que também não compreendem os porquês de tais comportamentos. E principalmente para o próprio adolescente, que passa por uma transformação na vida que nem sempre acontece tranquilamente – também não entendendo exatamente o que está acontecendo.
No consultório, a maior procura por atendimento psicológico para adolescentes é feita pelos pais/responsáveis por ele.
O que é compreensível por serem, talvez, as pessoas mais próximas no convívio e quem, consequentemente, também precisa de orientação para saber lidar com esta fase do (a) filho (a).
1. Pais e filhos adolescentes: como cuidar desta relação tão delicada?
A chegada de um bebê na casa deum casal é um dos momentos mais alegres da vida. Ter crianças em casa dátrabalho, mas também é muito divertido. Mas e quando elas crescem?
A convivência entre pais e filhos adolescentes é, no mínimo, complexa. É preciso paciência, uma boa dose de sabedoria e muita sensibilidade para vivenciar esta experiência sem traumas e com a certeza de que logo estarão adultos e, de preferência, emocionalmente saudáveis.
Nesta jornada, a ajuda de um psicólogo pode fazer toda a diferença. Entenda, no texto a seguir, como tudo isso funciona.
A adolescência é, sobretudo, um período de autoafirmação e aceitação das mudanças radicais que ocorrem no organismo e nos sentimentos.
É o momento de vivenciar maior ansiedade e até revolta em alguns casos, de ir em busca de equilíbrio e de tomadas de decisões – que até então eram um privilégio dos pais.
Tudo isso chega na vida doadolescente gerando muito incômodo e insegurança.
2. Psicoterapia para Adolescentes
A psicoterapia para adolescenteparte do princípio de que o paciente está inserido em um mundo, ao qual passoua pertencer e deseja ter seu espaço, e, então, busca-se compreender as relaçõesque foram estabelecidas ao longo de sua vida até chegar à fase da adolescência.
A relação terapeuta-adolescente começa a ser estabelecida desde a primeira sessão, quando é esclarecido o contrato e, principalmente, assegurada ao paciente a questão do sigilo absoluto sobre o que for discutido nos atendimentos.
A partir do momento em que o adolescente se sente seguro e passa a confiar no terapeuta, o processo psicoterapêutico passa a acontecer fluidamente.
A participação dospais/responsáveis é de grande importância para a melhora e/ou mudanças doadolescente, inclusive, os encontros com o terapeuta têm o objetivo deorientá-los em relação ao paciente.

3. Fase de questionamentos
Os questionamentos levantadospelos mais jovens normalmente geram conflitos familiares. Os adolescentesprecisam de afirmação e querem comprovar que os valores aprendidos até agorafazem realmente sentido para a vida deles. Com isso, muitas vezes, entram emchoque com os pais.
Outro motivo paradesentendimentos é a questão da autoridade. Quem tem mais autoridade nestarelação? Quem deve se submeter a ela e por quais razões? Submissão é umapalavra difícil no vocabulário adolescente e gera questionamentos e embates otempo todo.
O importante é não culpar nenhum dos lados pelas transformações pertinentes a esta fase da vida. As diferenças devem ser tratadas com amor, paciência e muito diálogo. Não tem outro jeito.
4. Adolescentes são crianças e adultos, ao mesmo tempo
Para os pais, restam os conflitos– sim, “meu filho cresceu e não precisa mais tanto de mim”! – e a dúvida sobreo quanto colocar de limites e de como quebrar a barreira invisível que teima emimpedir uma convivência mais próxima.
O grande desafio é conseguir – e aqui a presença de um psicólogo pode facilitar muito – equilibrar o tratamento dados aos filhos nesta fase da vida, enfrentando-os como adultos em que eles estão se transformando, mesmo sem ter ainda a maturidade desejada, e cuidando deles como crianças que ainda são, principalmente no aspecto emocional.
Não há uma receita pronta parausar em 100% dos casos. Afinal, tudo vai depender muito das personalidades,tanto dos pais quanto dos filhos e da qualidade da relação que se estabeleceuentre as partes desde o nascimento da criança.
Porém, a Psicologia acredita quehá alguns ingredientes que funcionam para todos. São eles: o diálogo permanente,o afeto mútuo, a determinação em acertar, o amor, a paciência e,principalmente, a certeza de que esta fase passa. Pode demorar um pouco, maspassa!
A percepção do pais é que, no período da adolescência, os filhos vivem num mundo diferente, isolado e distante do deles. E isto em parte é verdade. Desta forma, os responsáveis (pais, avós e irmãos mais velhos) precisam acessar esse mundo e a chave para isto é a comunicação.
Cara a cara, por bilhetes,mensagens nas redes sociais ou sinal de fumaça, não importa. Todos os canais decomunicação com os adolescentes são válidos e surtem efeitos positivos seusados com base na compreensão, resiliência, empatia e persistência.
5. Fortalecendo o relacionamento entre adolescentes e pais
Diálogo é a melhor maneira de entendimento entre pais e filhos. De nada adianta ficar dizendo que já passou pelas mesmas situações ou que na “minha época era assim ou assado”. Essa comparação só revolta ainda mais o adolescente que, certamente, vai dizer que os tempos eram outros.
O diálogo entre pais eadolescentes deve levar os filhos a refletir sobre a vida, ajudá-los eorientá-los para que façam as próprias escolhas.
Aceitar as situações novas quesurgem neste período também contribui para um relacionamento mais saudável. Ospais precisam estar preparados e conscientes de que seus filhos começam a alçarvoo. Sempre lembrando que educar é dar asas para eles voarem e também raízespara que, se precisarem, terem para onde voltar.
O fato de começar a namorar, porexemplo, não significa que deixaram de amar os pais e é só uma consequêncianatural da adolescência. Colocar impedimentos e implicar com o relacionamentoos afastará ainda mais.
Proteção, sim. Obstáculos, não!
Os pais devem participar dessemomento, conhecer e se relacionar com a namorada (o) e com os amigos de seusfilhos, colocando limites que sirvam para proteção e não obstáculos. E, ainda,orientar de maneira amorosa a respeito dos cuidados que se deve ter em umnamoro adolescente e ficar atentos aos lugares que frequentam.
A imagem de herói que seu filho tinha de você quando criança começa a se desfazer na adolescência. Ele passa a perceber que você também tem falhas, fraquezas e limitações. Seja autêntico, aja com naturalidade, assuma as suas limitações e demonstre as suas emoções. Isso despertará a confiança dele em você. Converse bastante com seu filho sobre como ele se sente e procure conduzir as emoções de forma construtiva.
Mais uma dica importante: apalavra de um pai deve ser reforçada pela atitude. Portanto, aja de acordo como que você fala. Isso lhe dará credibilidade e seu filho seguirá o seu exemplo.
6. Principais motivos de procura por Terapia para Adolescentes
Os problemas mais comunsrelatados em consultório (ainda que seja necessário analisar caso a caso e nãoser taxativo):
- Uso de drogas: muitas regras sociais e culturais estão envolvidas nesse caso, inclusive o próprio aprendizado através de modelos em casa, como quando um parente sofre de algum tipo de dependência, e, também, das próprias sensações fisiológicas causadas por determinada substância;
- Sexualidade: problemas de ordem sexual geralmente englobam uma gravidez que não foi planejada ou a ocorrência de uma relação homossexual, por exemplo;
- Falta de orientação vocacional: a formação no ensino médio se aproxima e a dificuldade para descobrir a vocação no mercado de trabalho, aumentando também a pressão para que uma escolha seja feita;
- Dificuldade para ter independência dos pais: até esta fase da vida (infância), fazia parte ter os pais sempre por perto para resolver os problemas e lhe assegurar que tudo seria solucionado, mas agora (adolescência), o que muda?
Espera-se que a partir da terapia, o adolescente aprenda alguns comportamentos que lhe ajudem a lidar com as situações que até então não tinham sido vividas ainda, como por exemplo, o terapeuta poderá ensiná-lo a olhar o que acontece com ele e à sua volta por uma ótica “diferente” da sua.
A partir das conversas e análises dos episódios em sessão, estima-se que o paciente pratique as atitudes discutidas fora do consultório e tenha mais controle sobre seus comportamentos (atitudes, sentimentos, pensamentos, dentre outros), chegando à vida adulta de maneira mais tranquila e sem tantas inseguranças e crenças que, geralmente, a adolescência acarreta.
7. A importância do apoio de um psicólogo nesta fase
Existem casos em que os pais não sabem como agir diante de um filho adolescente. Nesta situação, a orientação de um psicólogo pode ajudar estes pais a atravessar melhor essa fase do seu filho e construir um relacionamento saudável, baseado no amor e na confiança.
Há, inclusive, a possibilidade deo adolescente, os pais ou ambas as partes passarem por uma terapia compsicólogo. Isso ocorre quando ele se torna muito rebelde, por exemplo, e nãoconsegue lidar com as emoções. Ou pior, quando se envolve em casos de violênciaou consumo de drogas.
É importante que os pais estejamatentos e percebam quando o seu filho está passando por alterações nocivas eprecisa de ajuda. Quanto antes receber o apoio de um psicólogo, mas fácil seráresgatá-lo de um problema maior e duradouro.
Vale lembrar que nas discussõesmais calorosas e com exaltação de ânimos – preparem-se: serão muitas! -,tornam-se necessárias doses extras de equilíbrio, bom senso, tolerância erespirações profundas. Os pais devem ser firmes, mas sem agressões. A recíprocaé verdadeira.
E para alcançar esta serenidade equalidade no relacionamento, é ingenuidade acreditar que é agora o momento deconstrução de uma relação próxima e segura com os filhos. Como já dissemos, seo trabalho for bem feito na infância, a adolescência será enfrentada maisfacilmente.
Se a sensação de impotência persistir, a ajuda de um psicólogo será fundamental. Ele vai orientar sobre como melhorar a comunicação, como aceitar as mudanças que ocorrem nesta fase da vida e como estabelecer o que os pais podem e devem esperar dos filhos e vice-versa.
Enfim, ele é o profissionalcapacitado para funcionar como um intermediário, um moderador nas negociaçõesque precisam ser realizadas. Lembrando que a terapia pode ser feita diretamentecom o adolescente ou em formato híbrido com atendimento simultâneo aos pais.
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Consultas por vídeoJúlia Maschio é psicóloga pós-graduada em Psicopatologia Fenomenológica pela Santa Casa de São Paulo. Atende adultos, casais e adolescentes em questões de ansiedade, autoestima, luto, estresse e relacionamentos, com escuta sensível e olhar humano...
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Autor: Psicóloga Julia Maschio - CRP 06/195216Formação: Júlia Maschio é psicóloga pós-graduada em Psicopatologia Fenomenológica pela Santa Casa de São Paulo. Atende adultos, casais e adolescentes em questões de ansiedade, autoestima, luto, estresse e relacionamentos, com escuta sensível e olhar humano...
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