Por Daniela Gilardi
Psicóloga · CRP 06/75614
Publicado em 01/07/2021 · Atualizado em 15/07/2026
Transtornos de personalidade são condições que levantam diversas dúvidas e costumam despertar a curiosidade de quem encontra representações na mídia. Alguns são muito conhecidos, como o transtorno de personalidade antissocial, enquanto outros caem no esquecimento e dificultam tanto o diagnóstico quanto o tratamento.
Pessoas com distúrbios de personalidade sofrem muito ao longo da vida. Situações corriqueiras se transformam em desafios ardilosos. Como elas desconhecem a razão do seu sofrimento, elas não voltam o olhar para si mesmas e se adaptam a comportamentos disfuncionais.
O que é Transtorno de Personalidade?
Os transtornos de personalidade podem ser definidos como padrões de comportamentos mal-adaptativos generalizados. Pessoas com essas condições percebem si mesmas e o mundo onde habitam de modo inadequado.
Segundo o DSM V, eles são causados por um conjunto de fatores genéticos e ambientais, os quais variam de indivíduo para indivíduo.

Muitos desses transtornos se agravam à medida que a pessoa com alguma das condições de personalidade cresce e desencadeiam sintomas mais intensos e incontroláveis. Sendo assim, ela pode se tornar uma ameaça para si mesma ou para os outros. Por outro lado, alguns deles desaparecem com o passar dos anos.
Tipos de transtorno de personalidade
O DSM V classifica os transtornos de personalidade em três categorias – grupos A, B e C – conforme características semelhantes.
O primeiro diz respeito as condições que fazem o indivíduo parecer excêntrico ou “estranho” enquanto o segundo consiste nas condições que tornam o indivíduo dramático ou errático. O terceiro grupo é formado por distúrbios ansiosos ou apreensivos.
1. Transtorno de personalidade paranoide
É caracterizado por um comportamento desconfiado e paranoico. O indivíduo com essa condição suspeita das intenções dos outros, acreditando que todos estão planejando causar lhe mal. Apesar de não haver nenhuma evidência para isso, ele insiste em alimentar as suas suspeitas e especular possíveis objetivos maléficos de terceiros.
Assim, eles têm dificuldade para confiar nos outros e criar laços de amizade. Os únicos relacionamentos das pessoas com essa condição costumam ser familiares.
2. Transtorno de personalidade esquizoide
Indivíduos com personalidade esquizoide possuem uma gama limitada de emoções, a qual causa o seu distanciamento das relações interpessoais. Eles não têm interesse em construir vínculos afetivos, preferindo permanecer só e praticar hobbies solitários.
Devido à sua conduta apática, são interpretados como socialmente ineptos ou frios. Ainda assim, não se importam com a opinião dos outros e continuam vivendo do jeito que acham melhor.
Outra característica são as reações inadequadas a situações estressantes, como acidentes de carro, ou importantes, como formaturas ou promoções. Sorrisos, gesticulações e expressões de surpresa são raros.
3. Transtorno de personalidade esquizotípico
Este transtorno de personalidade faz com que as pessoas se distanciem da realidade. Elas têm ideias fantasiosas e vivem de acordo com regras criadas por elas mesmas para sustentar as suas crenças absurdas.
Por exemplo, podem acreditar que precisam tomar atitudes específicas (moralmente aceitas ou não) para satisfazer os desejos de uma divindade ou um ser mágico. Dessa forma, as suas vidas giram ao redor desse objetivo.
Essas pessoas também ficam muito ansiosas em situações sociais. Com frequência, interpretam errônea ou negativamente as ações e palavras de outros indivíduos, chegando a conclusões incongruentes com a verdade.
4. Transtorno de personalidade borderline
Esta condição é caracterizada por uma hipersensibilidade emocional que afeta negativamente os relacionamentos interpessoais e a autoimagem da pessoa com borderline.
Ser abandonado é uma das maiores preocupações de quem possui esse transtorno de personalidade. Esses indivíduos exigem atenção constante para se sentirem amados. Assim, ficam irritados ou nervosos com pequenos acontecimentos como, por exemplo, o atraso de alguns minutos para um compromisso, e fazem cobranças o tempo todo.
Frequentemente idealizam um indivíduo, seja um cônjuge ou um amigo, e o colocam em um pedestal. Qualquer atitude que indique um possível desinteresse do outro, seguindo as interpretações deles, é motivo para desespero. Deste modo, é um tanto difícil manter um relacionamento saudável com quem tem borderline.
5. Transtorno de personalidade narcisista
Esta é uma das condições mais conhecidas popularmente. Há muitos retratos da personalidade narcisista em produções culturais e, embora algumas características estejam de acordo, muitas são potencializadas.
O narcisista tem mania de grandiosidade e necessidade extrema de adulação. Ele faz de tudo para ser o centro das atenções e receber elogios. Quando outra pessoa está em evidência, ele tenta roubar os holofotes para si. O seu modo de fazer isso normalmente é agressivo. Ele procura desestruturar o outro para sabotar os seus minutos de fama.
O narcisista também tem dificuldade para sentir empatia. Ele não consegue ter compaixão com as pessoas e acredita que suas ações não são tão ruins quanto os demais fazem parecer. Essas características tornam a convivência com a pessoa narcisista muito desagradável.
6. Transtorno de personalidade antissocial
Outra condição bastante conhecida é a da personalidade antissocial, a qual é responsável pela psicopatia. O indivíduo antissocial é frio, impulsivo e emocionalmente instável.
Ele não considera as consequências de seus atos nem tem compaixão pelo sofrimento causado a outras pessoas. Logo, tem problemas frequentes com a lei. Não raro o indivíduo antissocial é preso ou processado por ofender alguém.
Embora receba punição, não consegue aprender com seus erros e volta a cometer crimes, como destruição de propriedade alheia, assédio, roubo e agressão.
O indivíduo antissocial fica irritado com facilidade e usa essa emoção para justificar as suas decisões. Também costuma colocar a culpa de suas ações em suas vítimas, afirmando que elas mereceram determinado tratamento.
7. Transtorno de personalidade histriônico
A pessoa com personalidade histriônica acredita ser uma estrela. Ela também possui necessidade de estar no centro das atenções. Para conseguir isso, seduz e provoca seus interesses românticos, colegas de trabalho, chefes e desconhecidos. Dessa maneira, seus comportamentos são frequentemente inadequados.
Ela também possui pouco contato com as suas emoções. Expressa os seus pontos de vista com dramaticidade, mas não costuma ter fatos para embasar opiniões ou teorias. E o seu objetivo não é, na verdade, ser coerente, mas, sim, causar impacto por onde passa.
8. Transtorno de personalidade esquivo
Como o próprio nome diz, essa condição é constituída por posturas esquivas em contextos sociais. A pessoa com essa personalidade acredita estar sempre prestes a ser rejeitada ou humilhada. Ela anseia pelo contato com o outro, mas tem muito medo de ser criticada.
Para evitar o sofrimento emocional procedente dessas ocasiões, ela evita:
- Interagir com as pessoas;
- Aceitar oportunidades que a colocarão em uma posição de destaque;
- Fazer novos amigos. Eles somente relaxam na presença de outros indivíduos quando têm certeza de que serão aceitos;
- Se abrir para as pessoas sem antes criar testes rigorosos para julgar o seu caráter; e
- Em casos críticos, sair de casa.
9. Transtorno de personalidade dependente
Diferente da condição anterior, essa consiste na necessidade exagerada de ter vínculos afetivos e ser cuidado. Indivíduos dependentes não acreditam que conseguem cuidar de si mesmos sozinhos, então se colocam em uma posição de submissão para despertar a vontade do outro de cuidar deles.
Eles exigem constante reafirmação positiva para se sentirem seguros e costumeiramente pedem conselhos para tomar decisões, sejam pequenas ou grandes. Do mesmo modo, não têm problema nenhum em colocar toda a responsabilidade de suas vidas nas mãos de outras pessoas.
10.Transtorno de personalidade obsessivo-compulsivo
Pessoas com personalidade obsessiva-compulsiva clamam por organização, perfeccionismo e limpeza. Desejam ter controle de tudo, inclusive de acontecimentos e de aspectos da vida de terceiros. São teimosas e irredutíveis por acreditarem que o seu jeito de fazer as coisas é o correto.
Outra característica importante é a criação de regras pessoais que encorajam compulsões, como revisar projetos ou atividades constantemente, focar demasiadamente em detalhes e preocupar-se em excesso com coisas insignificantes.
Como perdem a noção do ponto principal, acabam cometendo erros no trabalho e desagradando supervisores e colegas. Elas não possuem consciência de como seu comportamento afeta quem está ao redor.
Tratamentos para transtornos de personalidade
A psicoterapia é a principal forma de tratar e acompanhar condições de personalidade. Tanto a terapia individual quanto a em grupo demonstram resultados positivos com esses pacientes.
Outras patologias costumam coexistir com elas, como ansiedade, depressão e distúrbios alimentares, as quais também requerem tratamento. Nesses casos, o acompanhamento com o psicólogo pode levar mais tempo já que outras condições costumam interferir na resposta do paciente ao tratamento.
Os principais objetivos da terapia para transtornos de personalidade é reduzir o sofrimento, ensinar o paciente a lidar com a sua própria condição, diminuir comportamentos disfuncionais e modificar traços de personalidade que causam problemas.

Autor: Psicóloga Daniela Gilardi Torres Marques - CRP 06/75614Formação: Daniela Gilardi é psicóloga há 22 anos e possui ampla experiência no atendimento a adultos e casais. Atua com Terapia Cognitivo Comportamental e Gestalt trabalhando queixas como ansiedade, relacionamentos, carreira, depressão, autoestima, estresse, autodesenvolvimento, autoconhecimento...
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