Processo de adoção e ajuda psicoterapêutica

Processo de adoção e ajuda psicoterapêutica

A adoção é um ato de amor, do transbordar do afeto, por um lado de um casal ou de uma pessoa, que deseja realizar o sonho de ter um filho (a), deseja acolher uma criança e constituir uma família e por outro lado de uma criança (s) precisando de um adulto que a proteja, cuide e proporcione espaço para a construção de uma relação saudável de trocas.

É muito comum atrelar o tema da adoção à filantropia ou caridade, mas o Processo de Adoção é bastante complexo e envolve diversos fatores importantes, que se puderem ser pensados e explorados, colaboram para a construção de uma relação de amor mais consistente e verdadeira entre pais e filhos.

A adoção geralmente é atrelada a um evento triste, frustrante e até traumático, mas podemos pensar que os motivos que levam à adoção podem ter deixado marcas negativas, porém a Adoção em si pode representar uma solução, uma nova oportunidade para os pais e filhos superarem as dificuldades e recomeçarem contando uns com os outros para terem uma vida mais plena e feliz.

VOU ADOTAR, E AGORA?

Após percorrer um longo caminho no desejo de ter um filho, algumas pessoas optam pela Adoção, e logo que iniciam o Processo de Adoção deparam-se com inúmeras questões, dúvidas, medos, fantasias, desejos, expectativas motivados por aspectos psicológicos que precisam ser compreendidos e acolhidos para que o processo de adoção seja bem sucedido!

Podemos citar alguns exemplos de medos e expectativas comuns de adotantes em fase de pré-adoção:

    1) Será que estou pronto para adotar uma criança?

    2) Sinto medo de não ser aceito e de não conseguir estabelecer uma relação afetiva com meu “novo filho”. Será que ele vai me aceitar como seu pai ou mãe?;

    3) Será que conseguirei amá-lo?

    4) Poderá ter dificuldade em manter uma disciplina clara com medo de interferir no afeto que a criança vai sentir ou de lhe causar ainda mais traumas do que já viveu no passado;

    5) Como será meu filho (a) fisicamente e psicologicamente?

    6) Herança genética dos pais biológicos- até que ponto interfere e afetará essa criança

    7) O que devo responder quando meu filho me perguntar sobre sua origem?

    8) Sou estéril. Não fui capaz de gerar meu filho biológico, será que ainda posso ser uma boa mãe?

    9) Já que na adoção eu posso escolher meu filho, quero uma criança perfeita, que supra todos os meus sonhos!

O adotante também irá se deparar com muitos preconceitos e tabus da sociedade, da própria família e amigos e precisa estar preparado para lidar com tudo isso.

A IMPORTÂNCIA DA PSICOTERAPIA NO PROCESSO DE ADOÇÃO

Uma das principais questões a serem abordadas pelo psicoterapeuta logo de início é o motivo pelo o qual optaram pela Adoção. É preciso entender por que chegaram a esta decisão e pensar a respeito do que pode ter verdadeiramente motivado esta escolha.

É importante ressaltar que a adoção não constitui necessariamente uma patologia em si mesma. Mas precisamos compreender que crianças e adolescentes adotados podem desenvolver sintomas em conseqüência de situações de privação, abandono ou outras de natureza traumática.

Ninguém é adotado sem antes ter sido abandonado pela sua família de origem.

Por outro lado, muitas vezes esses pais que querem adotar tiveram que passar por um processo de luto decorrente de uma situação de infertilidade, por exemplo, e conseqüente abandono do desejo de constituir uma família biológica.

Daí a importância desses casais procurarem um psicoterapeuta na fase da Pré- Adoção e conversarem sobre todos os seus medos e inseguranças, sentindo que estes são legítimos, comuns, partilhados por famílias na mesma situação e superáveis.

A psicoterapia pode ser um recurso preventivo de eventuais rupturas futuras na adoção.

    Autora: Taiz Vesco (Psicóloga CRP 06/06/55747)

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