Por Thaís Lopes
Psicóloga · CRP 06/190956
Publicado em 04/08/2026
Você sabia que existem diferentes tipos de ansiedade?
Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG), agorafobia, síndrome do pânico, Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC), Transtorno do Estresse Pós-Traumático (TEPT) e Transtorno de Ansiedade Social (TAS).
Conhecer essa variedade de condições é importante para conseguir identificar quando você ou uma pessoa próxima e querida está passando pelo problema.
Em nosso blog, contamos com uma série que aborda todos esses tipos para que você possa conhecê-los melhor, sendo que no post de hoje falaremos sobre o TAS.
Por isso, continue acompanhando para saber mais a respeito do assunto, como causas, sintomas e tratamentos. Boa leitura!
O que é o Transtorno de Ansiedade Social (TAS)?
O transtorno de ansiedade social – também conhecido como fobia social – é uma condição psicológica em que a pessoa apresenta dificuldade para manter qualquer tipo de contato social, como se apresentar, conversar, comer na frente de outras pessoas, entre outras situações que exigem interação.
Isso acontece porque, nesse transtorno, o indivíduo sente medo de ser julgado pelos outros e de, assim, ter suas fraquezas expostas.
Quais são os sintomas do TAS?
Os sintomas do transtorno de ansiedade social podem surgir ainda na infância ou nos primeiros anos da adolescência, mas trazendo maiores prejuízos na fase adulta.
Eles podem ser físicos, emocionais e comportamentais. Quanto mais intensos, maiores os prejuízos para a vida pessoal e profissional do paciente.
Dentre os principais sintomas e sinais, estão:
- Calor e sudorese excessiva
- Tensão muscular e espasmos
- Boca seca
- Taquicardia
- Enjoo e náuseas
- Medo e ansiedade em excesso
- Nervosismo
- Crises de pânico
- Isolamento social
- Baixa autoestima
- Hipersensibilidade à crítica
- Dificuldade para desenvolver habilidades sociais
- Relacionamentos sociais difíceis e conflituosos
Vale dizer que esses sintomas também estão presentes em outros tipos de ansiedade e, até mesmo, em outros transtornos psicológicos. Por isso é tão importante a consulta com um especialista no surgimento dos primeiros sinais para investigação e diagnóstico precisos.
Como age a pessoa com ansiedade social?
De forma geral, a pessoa com TAS apresenta dificuldade para interagir com pessoas ao seu redor. Por isso, ela:
- Tem medo de situações em que acredita que possa ser julgada;
- Tem receio de passar por alguma humilhação;
- Tem medo de interagir com estranhos ao mesmo tempo que não gosta de transparecer que está constrangida;
- Acredita que as pessoas estão analisando o seu desempenho a todo momento e que podem identificar suas falhas;
- Espera sempre que as piores coisas irão acontecer durante uma interação.
Quais são as causas do Transtorno de Ansiedade Social?
O TAS costuma surgir de uma combinação de fatores biológicos e ambientais. Nesse cenário, dentre as possíveis causas estão:
- Genética: pessoas que possuem familiares de primeiro grau com algum tipo de transtorno mental estão mais propensas ao desenvolvimento da ansiedade social.
- Anatomia do cérebro: pessoas que possuem uma amígdala hiperativa têm uma resposta de medo intensificada, o que contribui para as fobias, incluindo a social.
- Ambiente: o ambiente no qual o indivíduo está ou esteve inserido, como ter vivido alguma situação social desagradável ou ter pais superprotetores, por exemplo, também pode ser um importante causador do TAS.
Convém mencionar, ainda, que existem fatores de risco que podem aumentar as chances de desenvolvimento da ansiedade social, como:
- Personalidade: indivíduos tímidos e com medo de julgamento possuem mais chances de desenvolver a fobia social.
- Educação: lares com criações muito rígidas, falta de apoio e cobrança constante tendem a criar pessoas com ansiedade, inclusive a social.
- Experiências negativas: pessoas que sofreram provocações, bullying, rejeição, humilhação, conflitos familiares, traumas e/ou abusos na infância estão mais propensos ao desenvolvimento do TAS.
- Condição diferente dos padrões sociais: por fim, indivíduos que possuem alguma característica diferente daquela que é considerada como padrão na sociedade (desfiguração facial, dificuldade de locomoção ou gagueira, por exemplo) podem se sentir mais inseguros e tendem a uma autoestima baixa, o que aumenta as chances do surgimento da ansiedade social.
Como é feito o diagnóstico do TAS?
O diagnóstico do transtorno de ansiedade social é feito por um médico psiquiatra, que se orienta pelo Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5).
Nesse sentido, o profissional faz uma análise clínica detalhada, em que procura identificar os gatilhos que provocam os sintomas, a intensidade desses, a frequência com que acontecem e os impactos negativos no dia a dia do paciente.
A partir dessa anamnese, o psiquiatra deve descartar outras possíveis condições e analisar se o quadro relatado se enquadra nos critérios do DSM-5.
Vale destacar que, conforme esse manual, para ser considerado transtorno de ansiedade social, o paciente deve ter medo acentuado e persistente ou ansiedade em uma ou mais situações sociais por, pelo menos, 6 meses.
Por fim, com relação às situações que normalmente desencadeiam ansiedade em pessoas que sofrem com esse transtorno, estão:
- Falar em público;
- Conhecer novas pessoas;
- Comer na companhia de terceiros;
- Fazer uso de banheiro público;
- Apresentar-se diante de um público (reunião na empresa, trabalho escolar na sala de aula, leitura na igreja, etc.);
- Entre outras.
Como tratar o Transtorno de Ansiedade Social?
O tratamento do transtorno de ansiedade social é multidisciplinar, envolvendo a atuação de profissionais da psicologia e da medicina, além da adoção de alguns hábitos pelo paciente.
Assim, entre as principais formas de tratamento, destacam-se:
Psicoterapia
Nos casos de TAS, a psicoterapia tem como objetivo auxiliar o paciente a identificar as razões pelas quais não consegue interagir socialmente e a modificar pensamentos e emoções – como o medo da rejeição e do julgamento – que causam essa trava.
Além disso, a terapia é importante para que os pensamentos negativos que aparecem durante as crises de ansiedade social deixem de ter tanto peso.
A principal abordagem utilizada pelos psicólogos para o tratamento de ansiedade social é a terapia cognitivo-comportamental (TCC). Entretanto, a terapia de exposição também pode ser acionada.
Medicamentos
Em algumas situações, pode ser necessária a prescrição de medicamentos para controlar os sintomas, como ansiolíticos. Mas o uso deve ser sempre orientado e acompanhado por um especialista.
Técnicas de relaxamento
Exercícios de meditação, respiração profunda, mindfulness e ioga são técnicas que podem ajudar a reduzir o estresse, controlar a ansiedade e promover uma sensação de calma, funcionando como um complemento ao tratamento psicológico e médico.
Exposição gradativa a situações sociais
Outra técnica que também é eficaz no tratamento do TAS é se expor gradativamente a interações sociais. Apesar de ser desconfortável, essa é uma forma de ir trabalhando a mente diante desses eventos.
Entretanto, é importante ir bem devagar e respeitar os limites para evitar que a condição piore.
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Autor: Psicóloga Thaís do Lago Lopes - CRP 06/190956Formação: Psicóloga pós-graduanda em Sexualidade Humana pelo CBI of Miami e membro do CRESEX – Centro de Referência. Atua com adultos e casais em questões de relacionamentos, carreira e saúde mental, com abordagem baseada em evidências científicas e Análise do Comportamento.
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