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Amar demais faz mal?

Amar demais faz mal?

Amar é universalmente considerado algo bom.

É uma doação que se faz ao outro, seja de modo romântico ou não, sem considerar as próprias necessidades tanto quanto as do próximo. É uma apreciação da pessoa amada através de gestos, palavras e cuidados constantes.

Dessa forma, não somos incentivados a criticar como alguém ama. Mesmo que esse “amor” cause dor a ela ou às pessoas próximas, as consequências são compreendidas como um resultado natural daquele tipo de amor.

Por exemplo, quem está de fora tende a ver as atitudes de ambos os parceiros em um casamento turbulento como suas formas particulares de amar. Assim, não interfere quando um dos cônjuges ou ambos aparentam estar sofrendo por um momento.

Será que esse é realmente o caso? É saudável amar alguém a ponto de se esquecer das próprias necessidades e bem-estar emocional? Quais consequências esse tipo de amor implica em nossas vidas? Neste post, vamos responder todas essas perguntas.  

O que significa “amar demais”?

O amor tem implicações profundas em nosso comportamento. Ele nos leva a mudar hábitos, padrões de pensamento e ter atitudes antes impensáveis. Quando essa mudança comportamental se mostra ser imprópria, devemos nos questionar a respeito da qualidade desse amor.

A maioria das pessoas possui noções extremas sobre o que é o amor e o que significa amar alguém. Isso porque desde sempre são ensinadas a associar atos de loucura, pensamento irracional e devoção incondicional ao amor.

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Frases como “eu não posso viver sem você”, “você é tudo que eu preciso” e “sem você, eu não sou nada” são repetidas incansavelmente em histórias de romance, levando as pessoas a desejarem esse amor que faz o mundo perder o sentido se a pessoa amada não está ao lado delas.

Essa devoção extrema, contudo, não é saudável. O excesso de amor é tão prejudicial quanto qualquer outro tipo de excesso – atividades físicas, sedentarismo, alimentos, dietas restritivas, socialização, solidão, entre outros. Amar demais pode deixar os amantes cegos.

Embora seja difícil definir com exatidão o que caracteriza excesso no ato de amar alguém, compreende-se que algum dano, seja físico ou emocional, é feito a um único cônjuge ou ambos.

Você provavelmente já ouviu alguém dizer, na sua vida ou em algum programa de TV, que cometeu uma loucura (inclusive atentar contra a vida do parceiro ou sua própria) porque estava perdidamente apaixonado.

Mas, se o amor é algo maravilhoso, por que alguém sentiria a vontade de machucar a pessoa amada? Ou se submeter a todo tipo de sofrimento por conta disso? Será que isso é mesmo amor?

Os problemas de “amar demais”

Embora possa parecer romântico, com base nas concepções sobre o amor disseminadas em nossa sociedade, amar demais causa mais mal do que bem. Quando você ama demais, você pode:

1.     Se tornar cego para o que é certo

Amar demais pode lhe deixar cego para atitudes inadequadas, ciúmes doentio, humilhações, possessividade e comportamentos aproveitadores. O seu julgamento é influenciado pelo amor excessivo, portanto, tudo o que o parceiro faz é interpretado como algo bom mesmo quando causa sofrimento.

2.     Transformar a pessoa amada em seu mundo particular

A pessoa amada passa a governar a sua vida. Você vive para satisfazê-la e vê-la feliz, podendo se levar à exaustão no processo para encontrar a felicidade dela. Quando a pessoa amada fica triste ou irritada, você se culpa pela oscilação do humor e, novamente, faz de tudo para que ela se sinta bem.

3.     Negligenciar as próprias necessidades

No processo de satisfazer a pessoa amada, você esquece de si mesmo. Não importa se você está feliz ou não contanto que o seu cônjuge esteja. Os seus objetivos profissionais, demais relacionamentos e propósitos de vida ficam em segundo plano. O problema é que, no futuro, você pode se arrepender de não ter dado tanta atenção a si mesmo.

4.     Perder a noção da realidade

Você vê a pessoa amada como um ser humano incrível, espetacular. Ela nunca está errada, mesmo quando magoa ou comete erros. Aos poucos, a sua fascinação o faz perder a noção da realidade. Quando outras pessoas comentam sobre o comportamento do seu cônjuge, você não tem ideia do que eles estão falando.

5.     Desenvolver dependência emocional

Amar demais pode facilmente causar dependência emocional. Você precisa estar com a pessoa amada para se sentir bem. Qualquer desentendimento é capaz de desestabilizá-lo. Se não recebe a aprovação do cônjuge, você começa a se perguntar se é, de fato, uma pessoa boa e competente.

6.     Idealizar o parceiro

A idealização do parceiro acontece em quase todos os relacionamentos, especialmente nos estágios iniciais. Quem ama demais, contudo, tende a colocar o cônjuge em um pedestal. Assim, quando ele não age de acordo com as suas expectativas, fica decepcionado. Essa atitude também é prejudicial para o parceiro, que desconhece as suas idealizações irrealistas.

7.     Ficar descontente com o relacionamento

Por amar demais e se dedicar excessivamente ao relacionamento, você pode esperar um comportamento semelhante do cônjuge. Se ele não “devolve” a afeição na mesma intensidade, começam as cobranças e as acusações de frieza e incapacidade de amar na mesma medida. Logo, o relacionamento nunca parece estar totalmente bem.

8.     Permitir que o parceiro tire vantagem de você

Alguns cônjuges podem se aproveitar dos sentimentos dos seus parceiros que amam demais e usá-los para conseguir o que desejam. Você nem sequer percebe que está sendo usado por estar cego de amor. Deste modo, pode se submeter a situações humilhantes e se prejudicar financeiramente e/ou profissionalmente para satisfazer os desejos do cônjuge.

Diferença entre amor e paixão

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Apesar de utilizarmos o termo “amar demais”, ele está mais relacionado à paixão que o amor propriamente dito. O amor é um sentimento ameno, profundo e estável. Ele normalmente surge após a paixão, a qual é avassaladora e inconstante.

Enquanto apaixonadas, as pessoas se entregam demasiadamente ao relacionamento. Elas só pensam em ficar próximo da pessoa amada, ficam com vontade de falar com ela e sobre ela o tempo todo e sentem o coração aquecer quando a encontram pessoalmente. O tempo dedicado ao trabalho, família e amigos se transforma em um “período de espera” para reencontrá-la.

Quando esse período de paixão intensa passa, o amor aparece. É nesse momento que as pessoas percebem os defeitos do parceiro. A projeção do cônjuge ideal desaparece para dar lugar a realidade. Assim, algumas podem se decepcionar com o que encontram enquanto outras aprendem a lidar com isso, dando continuidade ao relacionamento.

O amor é fortalecido através da convivência, sinceridade, enfrentamento de problemas em conjunto e compreensão das falhas. O parceiro pode ter mil defeitos, mas, para você, ele é a pessoa certa. Quando se ama, não importa se há brigas ou diferenças entre o casal, eles conseguem resolver esses impasses calmamente.

Da mesma forma, quando se ama, você não sente necessidade de se colocar em segundo plano nem o cônjuge cobra isso de você. Um relacionamento saudável é formado por duas pessoas que querem se ver no seu melhor, por isso, aceitam crescer juntas em diversos aspectos, como financeiramente, profissional, emocionalmente e pessoalmente.

Se um casal não sente isso um pelo outro, outros sentimentos podem estar mantendo-os juntos, como carência afetiva, insegurança, resquícios de paixão, medo de ficar sozinho, comodismo e dependência emocional.

Ame a si mesmo para amar o outro

Para que o amor em um relacionamento seja considerado saudável, é preciso haver dois tipos de amor: o amor-próprio e o amor pelo cônjuge. Você precisa ter ciência de quem você é, do que você deseja e do que você merece para, então, conseguir amar outra pessoa.

Caso contrário, você pode buscar preencher o vazio emocional em seu interior com o “amor” sentido pelo seu parceiro. Esse tipo de relação de dependência, como visto anteriormente, não é nada sadia.

Ela pode parecer confortável, mas não lhe ajuda a curar as suas dores emocionais. Pelo contrário, ela eleva as suas exigências. Você precisará de cada vez mais demonstrações de afeto por parte de terceiros para se sentir bem consigo mesmo. Uma vida assim está fadada ao cansaço mental e emocional.

Para não se deixar levar pelo excesso de amor, aprenda a amar a si mesmo antes de amar o próximo. Seja o suficiente para você, com todos os seus defeitos e qualidades, erros e acertos.

“Mas é difícil!”, você pode dizer. Nós sabemos! Por isso, se precisar de ajuda para alcançar esse objetivo e deixar de amar demais, procure um psicólogo para ajudá-lo.

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*Os textos do site são informativos e não substituem atendimentos realizados por profissionais.

Sobre Thaiana Brotto

Thaiana Brotto é psicólogo e CEO do consultório Psicólogo e Terapia. Graduação em Psicologia pela PUC-PR em 2008. Pós-graduação em Terapia Comportamental pela USP. E pós-graduanda em Terapia Cognitiva Comportamental pelo ITC. Registrada no Conselho Regional de Psicologia pelo número CRP 106524/06.

2 comentários em “Amar demais faz mal?

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