Por Daniela Gilardi
Psicóloga · CRP 06/75614
Publicado em 25/03/2020 · Atualizado em 18/06/2026
O senso comum diz que o ciúmemoderado é benéfico para os relacionamentos, pois faz com que o alvo destesentimento se sinta valorizado. E por ser algo tão comum nas relações humanas,é fácil afirmar que todos já o sentimos ou que já fomos o motivo de sua manifestação.
O ciúme geralmente é visto comoum aspecto negativo em qualquer tipo de relacionamento. Seja o ciúme em umarelação amorosa, seja no convívio entre amigos ou mesmo entre pais e filhos,esse sentimento costuma aparecer sempre em algum momento da vida, mas, àsvezes, ele não é ruim.
Existem determinadas situações em que o ciúme pode ser saudável e serve até para reforçar a relação. Porém, é preciso ter cuidado para que ele não se transforme em algo que cause perturbações ou até mesmo distúrbios.
Se isso acontecer, será necessário frequentar um psicólogo capacitado e identificar meios de normalizar a situação.
Existe ciúme saudável?

A resposta é direta: existe.
O ciúme saudável se confunde comuma certa dose de preocupação e talvez com um excesso de zelo, de carinho. É umsentimento que faz com que, em uma relação monogâmica, por exemplo, o outro sesinta valorizado e importante no relacionamento.
Este sentimento apareceprincipalmente em momentos em que a relação, por algum motivo, se mostraameaçada, e então o ciúme moderado pode ser interpretado como uma forma demostrar que o relacionamento é importante e que existe o medo de comprometê-lo.
Além disso, o ciúme dito como saudável, em alguns casos, pode ser simplesmente um reflexo de problemas de autoestima, de autoconfiança e de insuficiência. Quando alguém não se sente seguro tanto consigo mesmo quanto com a relação, é normal se sentir ameaçado em alguma situação que propicie o ciúme.
Ciúme normal ou patológico?
Mesmo que a presença do ciúme seja tão comum nos relacionamentos entre casais, irmãos, amigos, familiares, etc., há uma linha tênue entre o comportamento de estima em relação ao outro e a patologia que causa diversos problemas. É preciso, então, estar atento para identificar se é necessário procurar ajuda.
Para saber quando este sentimentopassou dos limites considerados sadios, deve-se observar se a rotina dociumento tem sido prejudicada por sua tentativa de averiguar o que o outro estáfazendo constantemente.
A obsessão que surge na mentecomo uma desconfiança que precisa ser confirmada ou descartada, pode atrapalharo desempenho profissional, a saúde e até mesmo a relação com outras pessoas.
Perder o sono por ficar pensandono que o ser amado está fazendo, passar horas como se fosse um detetive atrásdos passos de sua vítima, ligar a todo o momento para saber onde a pessoa está,desejar controlar todos os sentimentos e comportamentos do outro, são algunsdos sinais de que é hora de buscar o apoio de um profissional.
Quando o ciúme gera problemas
Quando o ciúme passa do pontoaceitável e se torna uma obsessão constante que gera brigas, desconfiança eincômodos frequentes, ele pode se tornar (muito) problemático.
Quando assume um caráterobsessivo, o ciúme pode acarretar em paranoia e sentimento de possessão, que sófazem mal para quem o sente e que podem colocar a relação em risco, além deprejudicar a saúde individual de quem desenvolve estes sentimentos.
Em alguns casos, a pessoa pode não ter motivos reais para sentir ciúme, mas ainda assim inventa evidências para apoiar sua ideia de que a relação está em jogo. Nestes casos, o ciúme pode se tornar tão irracional a ponto de tudo virar um motivo para brigas, desentendimentos e discussões.
A principal diferença entre osdois graus de ciúme se resume à forma como lidamos com a situação em quesurgem.
Como lidar com o ciúme
O primeiro passo para aprender a lidar com o ciúme é entender de onde vem este sentimento. Ele pode ter origem nas nossas próprias inseguranças e, em alguns casos, não ter nenhuma relação com fatores externos.
Nestes casos, é importante aprender a confiar – tanto em si mesmo quanto no outro. Trabalhar a autoestima também é essencial para nos tornarmos menos críticos de nós mesmos e para que sejamos capazes de aprender a “confiar no nosso taco”.
Porém, é importante saberidentificar também quando o ciúme ultrapassa a barreira do tolerável e se tornaobsessivo. Crises de ciúme frequentes e acusações infundadas atrapalham a dinâmicasaudável de qualquer relação e tornam qualquer pessoa psicologicamentevulnerável a desenvolver algum tipo de distúrbio, que pode afetar a vida emsuas mais diferentes áreas.
O ciúme causado pela falta de confiança em si mesmo e pela baixa autoestima pode até aparecer, de início, em um relacionamento amoroso. Mas é possível que o problema se agrave a ponto de afetar a vida no trabalho, na família e com os amigos.
Nestes casos, é essencial procurar ajuda de um psicólogo que ajude a entender as raízes do ciúme, a identificar o que gera o problema e que saiba apresentar novas formas de ver a situação, tratando a questão da maneira mais adequada.
Como a psicologia pode ajudar uma pessoa ciumenta?
Roland Barthes em seu livroFragmentos de um discurso amoroso, diz que “…como ciumento, sofro quatro vezes:porque sou ciumento, porque me reprovo por sê-lo, porque temo que o meu ciúmemagoe o outro e porque me deixo dominar por uma banalidade. Sofro por serexcluído, por ser agressivo, por ser louco e por ser comum”.
Este contexto explica bem osentimento presente na vida da pessoa que sofre deste mal. Angústia, falta deconcentração, dificuldade em distinguir o que acontece de fato daquilo que éimaginação, culpa, reprovação, insegurança, medo, dentre outros, podem sersentimentos vivenciados pelo desdobramento do ciúme.
E em casos como os citados, deve-se buscar o apoio de um psicólogo. Este terapeuta irá, juntamente com o paciente, racionalizar o ciúme e verificar o quanto este sentimento tem limitado a vida de quem o sente.
Irá também investigar todo o quadro do analisado para identificar se este comportamento não é um sintoma de outras patologias como o transtorno obsessivo compulsivo (TOC), o delírio, etc.
Vale ressaltar que, assim queidentificados problemas advindos deste sentimento, deve-se procurar umterapeuta. Esperar que a dimensão deste comportamento se torne maior paraprocurar ajuda, pode trazer muitas consequências negativas para o indivíduo.
E ao iniciar as sessões de terapia, a psicologia irá ajudar com que ele se perceba dentro do contexto no qual está vivendo, a se colocar no lugar do outro e a tentar agir de uma maneira que não seja prejudicial a ambos, o que, consequentemente, irá diminuir o impacto destrutivo do ciúme na vida da pessoa.
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Autor: Psicóloga Daniela Gilardi Torres Marques - CRP 06/75614Formação: Daniela Gilardi é psicóloga há 22 anos e possui ampla experiência no atendimento a adultos e casais. Atua com Terapia Cognitivo Comportamental e Gestalt trabalhando queixas como ansiedade, relacionamentos, carreira, depressão, autoestima, estresse, autodesenvolvimento, autoconhecimento...
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