Por Julia Maschio
Psicóloga · CRP 06/195216
Publicado em 18/03/2020 · Atualizado em 15/07/2026
Você já ouviu falar naneuropsicologia? Ela é um ramo da Psicologia que associa o comportamento humanoàs funções do cérebro e, assim, ajuda a descobrir e a compreender padrões decomportamento.
Era o ano de 1913 quando WilliamOslert, nos Estados Unidos, utilizou pela primeira vez o termo“neuropsicologia”. Ou seja, apesar de relativamente recente, essa já é umaciência bem estudada e confiável. Podemos conceituá-la dizendo que aneuropsicologia é uma forma de relacionar o papel dos sistemas cerebraisindividuais e as formas complexas das atividades mentais.
Em outras palavras, a neuropsicologia parte do funcionamento do cérebro para analisar e compreender comportamentos.
Entender como o complexo cérebrohumano funciona tem sido um dos grandes objetivos da ciência ao longo dosséculos. Nos dias de hoje, já temos um bom conhecimento sobre o assunto,particularmente quando pensamos nas funções, especificações e característicasde cada parte do cérebro.

Porém, ainda há muito a desvendare a busca pela compreensão desse órgão tão poderoso continua – inclusive nosconsultórios de psicologia.
A Neuropsicologia estuda asrelações entre cérebro e comportamento. Por meio da Avaliação Neuropsicológica,é possível investigar quais funções cognitivas estão preservadas e quais estãocomprometidas, tais como a atenção, memória, percepção, linguagem, raciocínio,aprendizagem, visuoconstrução, funções executivas, processamento de informaçãoe afeto, por exemplo.
O neuropsicólogo utiliza-se deinstrumentos padronizados como testes e escalas para avaliar as cognições deacordo com a queixa que o paciente apresenta.
A avaliação tem como objetivo coletar dados das perdas e explorar funções intactas, a fim de definir o tipo de intervenção necessária, uma vez que funções cognitivas com baixo desempenho podem prejudicar as atividades diárias, como trabalho, estudo e relacionamentos.
Objetivos da neuropsicologia
Como explicamos acima, esse ramoda Psicologia estuda como a organização cerebral interfere nas relações eemoções humanas, tanto em quadros de desenvolvimento normal do cérebro quantoem casos de doença.
O neuropsicólogo correlaciona asalterações observadas no comportamento de um paciente com as possíveis áreas docérebro envolvidas, fazendo uma investigação clínica baseada em testes eexercícios. A avaliação neuropsicológica faz parte desse processo.

Quem pode realizar a Avaliação Neuropsicológica?
Crianças, adolescentes, adultos e idosos que apresentem queixas cognitivas (desatenção, problemas de aprendizagem, esquecimento, dentre outros).
As queixas mais comuns em crianças e adolescentes envolvem problemas de comportamento, problemas de aprendizagem (leitura, escrita ou cálculo) e suspeita de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH). A avaliação em adultos e idosos também pode ser indicada em casos de:
- Traumatismo craniano (acidentes ou quedas);
- Acidente Vascular Cerebral (AVC);
- Epilepsia;
- Depressão;
- Demência;
- Déficits associados ao uso de álcool e drogas;
- Doença de Parkinson.
A importância da Avaliação Neuropsicológica
Por meio do Laudo Neuropsicológico, pode-se estabelecer um programa de reabilitação das funções prejudicadas, utilizando-se de treino cognitivo e estabelecimento de estratégias compensatórias para que o paciente possa se readaptar ao cotidiano no ambiente acadêmico, profissional e familiar.
A Avaliação Neuropsicológica também contribui fortemente para a indicação ou acompanhamento de psicoterapia, no qual os dados levantados podem ser utilizados pelo psicoterapeuta para subsidiar a intervenção clínica.
O objetivo principal da avaliaçãoneuropsicológica é coletar dados clínicos para auxiliar na compreensão daextensão das perdas sofridas pelo cérebro, em caso de doença, por exemplo, ecomo isso pode estar influenciando o comportamento do indivíduo. Ela buscaquais áreas estão comprometidas e quais estão preservadas.
A avaliação é feita a partir deinstrumentos (testes, escalas, baterias) que computam dados sobre as funçõescognitivas, como a inteligência, atenção, percepção, memória, linguagem,aprendizagem, velocidade de processamento de informações, habilidades motoras,afeto etc.
A partir da avaliaçãoneuropsicológica podemos estabelecer quais tipos de intervenção ou reabilitaçãoo indivíduo – ou grupos de indivíduos – precisa.
Quando se aplica a avaliação neuropsicológica?
A avaliação neuropsicológica podeser feita em adultos, crianças e idosos. No caso das crianças, ela costuma serrealizada em pacientes com alterações comportamentais e dificuldades deaprendizado, como déficit de atenção, problemas de coordenação, falta dememória e incapacidade para ler e fazer cálculos.
Em adultos e idosos, ela é feitaem casos de traumas, depressão, esquizofrenia, transtorno de desenvolvimento,acidente vascular cerebral (AVC), déficit associado a álcool ou uso de drogas,entre outros. Não importa qual seja o caso, o médico procurará entender como asmudanças no comportamento do indivíduo se relacionam com seus traumas e comoajudá-lo a superar o problema a partir do funcionamento cerebral.
A neuropsicologia é onde aciência clássica – aquela em que imaginamos os cientistas de jaleco branco etubos de ensaio – se encontra com a psicologia para descobrir como ajudarpessoas que passam por vários problemas diferentes.
Como saber que preciso de uma Avaliação Neuropsicológica?
Como citado acima, crianças, por exemplo, precisam dessas avaliações por ter, geralmente, dificuldades no aprendizado.
No entanto, é mais comum observar essa demanda dentro do ambiente escolar, onde os professores notam a dificuldade do aluno e informam aos pais.
Nesse caso, quando o responsável busca a ajuda de um psicólogo, o profissional avaliará a queixa para entender se é necessário passar por uma Avaliação Neuropsicológica ou se somente o processo terapêutico comum será o suficiente.
Em outros casos, crianças comacompanhamento com pediatras, também podem ser observadas pelo médico eencaminhadas para esta avaliação.
Em caso de adultos, o adulto podebuscar a psicoterapia e, ao longo do processo, o profissional entender que sejanecessário a avaliação, este será encaminhado, assim como aqueles pacientes quetambém possuem algum acompanhamento médico, e o médico nota ser o caso de umaavaliação.
Lembrando que, em casos dopaciente que busca apenas pela psicoterapia e o profissional observa que serápreciso uma avaliação, esta será pré-estabelecida e combinada, com o consensodo paciente.

Autor: Psicóloga Julia Maschio - CRP 06/195216Formação: Júlia Maschio é psicóloga pós-graduada em Psicopatologia Fenomenológica pela Santa Casa de São Paulo. Atende adultos, casais e adolescentes em questões de ansiedade, autoestima, luto, estresse e relacionamentos, com escuta sensível e olhar humano...
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