Por Yasmin Ramos
Psicóloga · CRP 06/163775
Publicado em 09/06/2026 · Atualizado em 14/10/2026
O Brasil enfrenta uma epidemia de Burnout – e isso não é um exagero. Segundo dados do Ministério da Previdência Social, divulgados pelo portal de notícias G1, os afastamentos por essa síndrome cresceram 823% no país em apenas quatro anos!
Isso indica que a sociedade está cada vez mais doente, sobretudo no que se refere ao esgotamento mental e físico provocado pelo acúmulo de tarefas e responsabilidades.
Diante desse cenário, o mais comum é pensarmos em formas de tratamento, como terapia e medicamentos. Entretanto, o melhor caminho é sempre o da prevenção, com mudanças pontuais na rotina e na forma de se relacionar com o trabalho.
Pensando nisso, preparamos este post com algumas dicas úteis para que você não entre na estatística e consiga evitar o aparecimento da síndrome de Burnout na sua vida. Confira!
O que é a Síndrome de Burnout?
A Síndrome de Burnout ou Síndrome do Esgotamento Profissional é o nome dado ao esgotamento psicológico, físico e emocional decorrente do estresse prolongado.
Ela está associada ao excesso de trabalho e à exposição a situações desgastantes no ambiente corporativo e apresenta tanto sintomas psicológicos quanto físicos, sendo os principais o estresse e a exaustão extrema.
Em 2019, a Organização Mundial da Saúde (OMS) passou a considerar essa condição como uma doença ocupacional. Já em 2022, ela foi incluída na 11ª Revisão da Classificação Internacional de Doenças (CID-11).
Ter nome e código na CID não significa que seja preciso chegar lá para pedir ajuda. Uma psicóloga para síndrome de burnout atende tanto quem já sente o esgotamento quanto quem percebe os primeiros sinais e quer mudar a relação com o trabalho antes que ele cobre a conta.
Quais são os principais sintomas da Síndrome de Burnout?
Como mencionamos anteriormente, os sintomas do esgotamento profissional são tanto físicos quanto psicológicos. Geralmente, eles surgem de forma leve e se agravam com o passar do tempo caso não haja nenhuma mudança nos hábitos de vida do indivíduo.
Dito isso, os principais sinais do Burnout são:
Físicos
- Dor de cabeça frequente
- Cansaço excessivo
- Batimentos cardíacos acelerados
- Tonturas
- Insônia
- Alterações no apetite
- Dores musculares
- Problemas gastrointestinais (náusea, diarreia, gastrite, etc.)
Psicológicos e comportamentais
- Diminuição da produtividade
- Dificuldades de concentração
- Pensamentos negativos intermitentes
- Sentimentos de fracasso, incompetência e insegurança
- Isolamento social
- Alterações repentinas de humor
- Lapsos de memória
- Irritabilidade e agressividade
- Ansiedade
Reconhecer e identificar esses sintomas é indispensável para que você possa procurar ajuda profissional antes que a situação se instale e se agrave.
7 dicas para prevenir a Síndrome de Burnout
Não é preciso esperar (e nem é recomendado que se espere) passar pela Síndrome de Burnout para rever seus hábitos. Afinal, é plenamente possível evitar que se chegue a um esgotamento crônico com pequenas mudanças no dia a dia.
Lembre-se de que o cuidado com a saúde de forma geral começa pela prevenção. Portanto, confira dicas de como preservar a sua saúde mental e não passar pelo Burnout:
1. Identifique os gatilhos que causam estresse
Quando o assunto é a prevenção de condições de saúde mental, como a Síndrome de Burnout, o primeiro passo é trabalhar o autoconhecimento, especialmente para identificar situações que agem como um gatilho para o seu estresse.
Sendo assim, comece a perceber e a identificar pessoas, situações e/ou objetos que despertam emoções e sentimentos negativos no seu ambiente de trabalho.
A partir disso, torna-se possível criar estratégias de inteligência emocional para evitar esses gatilhos e/ou impedir que eles te causem algum tipo de mal-estar.
2. Defina quais são suas prioridades
Não ter claro quais são as prioridades da sua vida (pessoal, profissional e social) pode fazer com que você se comprometa com o trabalho de forma excessiva, prejudicando a sua saúde mental.
Portanto, tire um tempo para listar tudo aquilo que é tão ou mais importante quanto o trabalho para você, como os momentos de lazer, a companhia dos amigos e familiares, etc.
Quando você coloca tudo isso em um papel, é possível visualizar com mais clareza e, consequentemente, definir limites em relação ao seu trabalho para evitar que as atividades laborais suguem o tempo das outras.
3. Aprenda a dizer “não”
Seguindo nessa ideia de definir limites, também é indispensável aprender a dizer “não” – não só no trabalho, mas em todos os âmbitos da sua vida. Sim, além de libertador, essa prática te ajuda a preservar a sua saúde mental e a manter longe a ansiedade e o estresse.
Mas falando especificamente sobre o trabalho, falar “não” evita que você acumule tarefas e responsabilidades que não será capaz de cumprir e que, portanto, podem te sobrecarregar.
Aqui vai uma dica valiosa: exercite diariamente a sua capacidade de não assumir um compromisso que você sabe que não dará conta ou que não faz parte das suas atribuições. Isso se chama autocuidado!
4. Pratique uma atividade física
Movimentar o corpo libera neurotransmissores benéficos para a saúde mental e física, capazes de combater o temido hormônio do estresse – o cortisol. Por isso, procure praticar regularmente algum exercício físico, como caminhada, ou algum esporte.
Ao fazer isso, você promove o relaxamento dos músculos, melhora o sono e aumenta a energia, o que te auxilia a lidar com o estresse do trabalho de forma mais resiliente.
Ah, e tenha disciplina para manter a frequência e a regularidade dos exercícios, pois apenas assim você, de fato, conseguirá colher os seus benefícios.
5. Seja franco com o gestor da sua empresa
Assim que surgirem incômodos frequentes no ambiente de trabalho, como conflitos em excesso com algum colega ou o acúmulo de demandas, por exemplo, então é importante comunicar ao seu chefe imediato. Não tenha medo!
Afinal, ter essa comunicação é muito importante para que o gestor e a empresa tomem ciência da sua situação e, assim, possam intervir de forma a evitar um futuro esgotamento.
Portanto, ao menor sinal de exaustão, converse com o seu chefe de forma sincera, franca e honesta. Essa é uma forma de se preservar e também de manter qualidade no trabalho.
6. Tenha uma rede de apoio
Ter uma rede de apoio é importante para prevenir o Burnout e outros problemas de saúde mental. Sim, pessoas nas quais você confia, como amigos, familiares e até bons colegas de trabalho podem te escutar e te oferecer ajuda quando você se sentir sobrecarregado.
Nesse sentido, muitas vezes, o simples fato de ter com quem desabafar já é suficiente para amenizar as angústias e a exaustão do dia a dia, não é mesmo? Por isso, cerque-se de pessoas boas e confiáveis.
7. Esteja sempre atento aos sinais
Por fim, uma outra importante forma de prevenir a Síndrome de Burnout é se mantendo atento a todo e qualquer sinal que o seu corpo dá (e que trouxemos neste post), como insônia, baixa imunidade, fadiga intensa, ansiedade e irritação, por exemplo.
Perceber a manifestação dos sintomas quando ainda estão leves possibilita que você intervenha o quanto antes e, assim, evite que uma estafa se torne uma doença ocupacional.
Nesses casos, ao primeiro sinal, modifique os hábitos, foque em atividades que lhe proporcionem bem-estar e inicie um acompanhamento com um psicólogo a fim de encontrar caminhos eficazes para lidar com as suas emoções e conflitos.
Lembre-se: prevenir é sempre o melhor caminho!
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