Ciúme: o que é e quando procurar ajuda?

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Ciúme: o que é e quando procurar ajuda

“Um verme asqueroso e feio/ Morde, sangra, rasga e mina, / Suga-lhe a vida e o alento/ Aquele verme [é] o ciúme”.

Estes versos do poema “O Verme”, de Machado de Assis, denotam bem este sentimento que acomete pessoas de ambos os sexos e em várias idades. Quando ele surge, vem acompanhado da desconfiança e do medo. “Será que ele/ela gosta mesmo de mim? Será que sou importante”?

Perguntas como estas pairam sobre a cabeça dos ciumentos e, muitas vezes, faz com que eles não saibam distinguir o que é “real” do que é fantasia.

Ciúmes é sinal de amor ou de patologia?

O senso comum diz que o ciúme moderado é benéfico para os relacionamentos, pois faz com que o alvo deste sentimento se sinta valorizado. E por ser algo tão comum nas relações humanas, é fácil afirmar que todos já o sentimos ou que já fomos o motivo de sua manifestação.

Ciúme normal ou patológico?

Porém, mesmo que sua presença seja tão comum nos relacionamentos entre casais, irmãos, amigos, familiares, etc., há uma linha tênue entre o comportamento de estima em relação ao outro e a patologia que causa diversos problemas. É preciso, então, estar atento para identificar se é necessário procurar ajuda.

Para saber quando este sentimento passou dos limites considerados sadios, deve-se observar se a rotina do ciumento tem sido prejudicada por sua tentativa de averiguar o que o outro está fazendo constantemente.

A obsessão que surge na mente como uma desconfiança que precisa ser confirmada ou descartada, pode atrapalhar o desempenho profissional, a saúde e até mesmo a relação com outras pessoas.

Perder o sono por ficar pensando no que o ser amado está fazendo, passar horas como se fosse um detetive atrás dos passos de sua vítima, ligar a todo o momento para saber onde a pessoa está, desejar controlar todos os sentimentos e comportamentos do outro, são alguns dos sinais de que é hora de buscar apoio de um profissional.

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Como a psicologia pode ajudar o ciumento?

Roland Barthes em seu livro Fragmentos de um discurso amoroso, diz que “…como ciumento, sofro quatro vezes: porque sou ciumento, porque me reprovo por sê-lo, porque temo que o meu ciúme magoe o outro e porque me deixo dominar por uma banalidade. Sofro por ser excluído, por ser agressivo, por ser louco e por ser comum”.

Este contexto explica bem o sentimento presente na vida da pessoa que sobre deste mal. Angústia, falta de concentração, dificuldade em distinguir o que acontece de fato daquilo que é imaginação, culpa, reprovação, insegurança, medo, dentre outros, podem ser sentimentos vivenciados pelo desdobramento do ciúme.

E em casos como os citados, deve-se buscar o apoio de um psicólogo. Este terapeuta irá, juntamente com o paciente, racionalizar o ciúme e verificar o quanto este sentimento tem limitado a vida de quem o sente. Irá também investigar todo o quadro do analisado para identificar se este comportamento não é um sintoma de outras patologias como o transtorno obsessivo compulsivo (TOC), o delírio, etc.

Vale ressaltar que, assim que identificados problemas advindos deste sentimento, deve-se procurar um terapeuta. Esperar que a dimensão deste comportamento se torne maior para procurar ajuda, pode trazer muitas consequências negativas para o indivíduo.

E ao iniciar as sessões de terapia, a psicologia irá ajudar com que ele se perceba dentro do contexto no qual está vivendo, a se colocar no lugar do outro e a tentar agir de uma maneira que não seja prejudicial a ambos, o que, consequentemente, irá diminuir o impacto destrutivo do ciúme na vida da pessoa.

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Autora: Thaiana Brotto (Psicóloga CRP 06/106524)

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