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A importância dos grupos de afinidade para a saúde mental

A importância dos grupos de afinidade para a saúde mental

Os humanos são seres gregários, ou seja, eles somente existem graças aos seus relacionamentos interpessoais. Desde o nascimento, nós participamos de diferentes grupos sociais: família, escola, vizinhos, amigos, trabalho, entre outros. Buscamos elementos os quais podemos nos identificar em cada um deles, bem como um pedaço de nossa identidade.

Por isso, é importante aprender a conviver em sociedade e estabelecer vínculos significativos apesar da diferença de opiniões e personalidades. Laços sociais tóxicos reduzem a autoestima, abalam a autoimagem e dificultam o estabelecimento de outras relações.

O afastamento social, seja voluntário ou involuntário, é danoso para a saúde mental, segundo psicólogos. A ausência de interações sociais de qualidade impacta consideravelmente a qualidade da vivência das pessoas, podendo estimular problemas psicológicos.

O que são grupos de afinidade?

O termo “grupo de afinidade”, neste contexto, refere-se a um conjunto de pessoas com os mesmos interesses ou objetivos. Esses grupos são informais e formados naturalmente conforme indivíduos com gostos afins se conhecem e desenvolvem um laço afetivo.

Você já deve ter percebido que pequenas “panelinhas” se formam em determinados contextos sociais. Na escola, na faculdade, no trabalho… Pessoas com características semelhantes e interesses em comum se dão bem logo de cara, estabelecendo uma amizade.

Nesses grupos de afinidade, o diálogo parece fluir sem obstáculos e os desentendimentos são resolvidos visando a preservação do relacionamento construído entre as pessoas. Além de ser uma dinâmica muito bacana, essa harmonia conserva a saúde mental dos indivíduos. Pode até ser uma fonte de apoio em momentos de adversidade.

Por que buscar grupos de afinidade?

Algumas pessoas crescem em ambientes pouco amigáveis. Os familiares, a vizinhança, os colegas de escola e outros conhecidos não compreendem o seu jeito de ser ou desaprovam as suas escolhas e modo de vida.

Na escola, é comum ver esses cenários em casos de bullying. Crianças e adolescentes se voltam contra os indivíduos considerados diferentes, atormentando-o física ou emocionalmente. Essas experiências deixam marcas difíceis de serem fechadas. 

Devido aos seus gostos “esdrúxulos”, pessoas são isoladas socialmente pelos demais ou optam por se afastar de relacionamentos interpessoais devido às pressões sociais. Assim, colocam em risco a sua saúde mental.

As habilidades sociais também se prejudicam com a falta de prática. Assim como qualquer aptidão, é necessário desenvolvê-las. Esse desenvolvimento ocorre naturalmente quando o indivíduo é um integrante ativo da sociedade. Mas, quando decide se isolar ou é isolado, ele se torna um tanto socialmente inepto. 

A ausência de grupos de afinidade em sua vida também pode originar condições psicológicas. Isso acontece porque a pessoa que não firma vínculos sociais de qualidade vive desanimada e sem perspectiva. Ela não consegue satisfazer uma de suas necessidades primárias – o anseio por convívio social.

O acúmulo de sentimentos negativos pode causar depressão, fobia social, ansiedade, pânico, entre outras patologias psíquicas.

Os pensamentos autodepreciativos são igualmente comuns em pessoas que não possuem bons vínculos afetivos ou que são excluídas por terem gostos diferentes. Elas passam a crer que são o problema, chegando a odiar a sua individualidade.

Portanto, por mais desafiador que possa parecer, é fundamental buscar grupos de afinidade e formar amizades que tenham a ver com você!

Benefícios dos grupos de afinidade

Grupos de afinidade são compostos por indivíduos emocionalmente saudáveis e que possuem características afins. Buscar esses grupos não significa abandonar o convívio social com pessoas diferentes de você.

Embora sejam desagradáveis, essas interações sociais são, talvez, as mais fundamentais para o nosso crescimento. Conviver com pessoas difíceis e com ideias contrárias é um exercício constante de paciência e de inteligência emocional. Assim, não se pode fugir delas.

A convivência com pessoas que gostem de você, que tenham traços de personalidade semelhantes e que compartilhem dos mesmos gostos é menos desafiadora, portanto, oferece momentos muito necessários de alívio ao cérebro.

Estudos da Universidade de Virginia mostram que amizades consistentes na adolescência podem ter impactos positivos na saúde mental a longo prazo. Adolescentes tendem a ser mais maleáveis, felizes e ir bem academicamente. Além disso, conseguem administrar o estresse com mais facilidade.

Na vida adulta, esses benefícios são colhidos na forma como os indivíduos gerem a ansiedade. A pesquisa identificou que jovens de até 25 anos que formaram amizades fortes na adolescência manifestaram poucos ou nenhum sintoma depressivo.

Os pesquisadores apontaram a elevação da autoestima e a autopercepção positiva em um período crucial da vida (puberdade) como uma das razões para esse resultado.

Como formar grupos de afinidade?

Antes de conferir as nossas dicas sobre como estabelecer grupos de afinidade, você precisa compreender o seguinte conceito: você tem controle sobre as suas amizades. A palavra controle, neste sentido, refere-se à possibilidade de escolher com quem você quer ou não dividir o seu tempo.

Se um ou mais amigos que você acreditava serem próximos não estão lhe fazendo bem, você pode procurar outros vínculos afetivos. É verdade que, após uma determinada idade, a correria impede que as pessoas se aproximem com a mesma facilidade quando tinham mais tempo livre.

Sendo assim, você não precisa simplesmente dar as costas aos seus amigos cuja convivência não está mais agradável. Você pode manter um relacionamento superficial enquanto constrói outros.

Tenha em mente que leva tempo para estabelecer laços de amizade de significância, especialmente na vida adulta. A escassez de tempo, os objetivos profissionais divergentes e a responsabilidade com a família ou o relacionamento são fatores que se tornam coexistentes com as amizades adultas.

Todavia, passar por esse processo é mais saudável que permanecer com grupos de afinidade pouco sadios ou optar pelo isolamento social voluntário. Encare-o como uma forma de ganhar conhecimento e experiência de vida, não como uma tarefa árdua.

1.     Busque por novas experiências

Uma forma de conhecer pessoas novas e, principalmente, pessoas com quem você tenha afinidade, é sair da zona de conforto e procurar experiências diferentes. Deixar um lugar confortável para se aventurar no desconhecido é um pouco assustador a princípio, mas é uma atitude necessária para mudar.

Iniciar cursos de curta ou longa duração é um modo certeiro de formar novas amizades. A convivência diária, semanal ou mensal favorece a construção da intimidade. Outra dica é participar de grupos de viagem para um destino que você sempre quis conhecer.

2.     Procure grupos de afinidade nas redes sociais

As redes sociais são ferramentas práticas para encontrar grupos afins. Indivíduos com gostos similares se juntam em nichos para conversar, compartilhar entusiasmo pelo interesse em comum e até marcar encontros pessoalmente. Para quem tem ansiedade ou timidez, costuma ser mais fácil iniciar conversas nesses ambientes virtuais.

3.     Procure por grupos de afinidade na sua cidade

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Também é possível buscar grupos de afinidade à moda antiga. Em outras palavras, visitando empreendimentos e frequentando eventos locais da sua cidade. À medida que você se expõe, também vai perceber que momentos sociais passam a ser mais fáceis de administrar, principalmente os que envolvem novas experiências.

A nossa dica é não manter expectativas altas em relação a formação de novas amizades. Aproveite os novos momentos conforme os eventos vão acontecendo e agradeça pelas experiências boas que aparecerem.

4.     Seja maleável

Firmar novos laços afetivos geralmente requer adaptação a novas posturas, comportamentos e opiniões. Pessoas maleáveis passam por essa vivência com tranquilidade, pois aceitam fazer coisas que não estão acostumadas. Elas aproveitam essas oportunidades para descobrir coisas novas sobre elas, as pessoas que as cercam e o mundo.

5.     Deixe o passado de lado

Quem está em busca de grupos de afinidade normalmente passou por momentos difíceis em relação às amizades, familiares e outros indivíduos do convívio social. Portanto, querem encontrar indivíduos com quem possam se identificar e confiar. A lembrança das experiências do passado, no entanto, pode atrapalhar a trajetória até esse objetivo.

Esqueça as experiências ruins pelas quais você passou. Aprenda com elas, mas não as carregue consigo. Trazê-las para o presente interfere na sua perspectiva dos acontecimentos, bem como no aproveitamento de novas vivências.

6.     Faça terapia

O acompanhamento psicológico ajuda indivíduos com receios em relação aos relacionamentos interpessoais a sentirem-se confortáveis na própria pele. A terapia também pode auxiliar pessoas com ansiedade para se relacionar, como quem tem fobia social ou timidez excessiva.

As crenças negativas formadas em razão das experiências negativas também são trabalhadas. Assim, pacientes conseguem aproveitar melhor as suas vidas sem temer encontrarem situações desconfortáveis.

Além disso, a terapia capacita as pessoas exatamente a lidarem com amizades negativas, sensações de exclusão e isolamento involuntário através do autoconhecimento. Ao longo das consultas, elas aprendem a controlar as suas emoções.

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*Os textos do site são informativos e não substituem atendimentos realizados por profissionais.

Sobre Psicóloga Thaiana F. Brotto

CRP 106524/06. CEO do consultório Psicologo e Terapia. Graduação em Psicologia pela PUC-PR em 2008. Pós-graduação em Terapia Comportamental pela USP. E pós-graduanda em Terapia Cognitiva Comportamental pelo ITC

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