Racismo e saúde emocional: como o trauma afeta as vítimas

Categoria dos serviços do psicólogo: psicoterapia
Racismo e saúde emocional como o trauma afeta as vítimas

O racismo e saúde emocional são umas das principais preocupações de psicólogos do país.

O Brasil é um país em sua grande maioria de pessoas negras e mestiças, que possui uma imensa diversidade étnica e cultural. Desde a colonização, o país recebe milhares de imigrantes até hoje. Esse caldeirão cultural promoveu uma riqueza vasta de contribuições que se entrecruzam na sociedade, no nosso dia-a-dia. Segundo a psicologia e demais áreas de estudos humanos, a miscigenação é um dos atributos pelos quais a sociedade brasileira permanece ainda como preconceituosa e racista. Para saber a relação entre racismo e saúde mental, leia o nosso texto.

O racismo no Brasil

O racismo no Brasil é um problema histórico e social e está presente não apenas no preconceito de cor em si, mas nas relações hierárquicas, de gênero e econômicas. Assim, o racismo sobreviveu desde aquele período colonial até os dias de hoje. Para compreender o vínculo entre racismo e saúde mental, devemos saber que essa relação na história do país foi marcada por gerações, pelo sofrimento causado aos escravos até seus descendentes hoje.

A desigualdade social tem cor. Muitas das vítimas hoje, de preconceito racial, sofrem todos os dias, em quaisquer situações, na rua, nas escolas, no trabalho, nas relações sociais. Por isso, pelas consequências deixadas no campo psicoemocional das vítimas, é que a psicologia vem dedicando grande parte de sua atenção para focar em tratamentos de redução de danos.

Psicologia, racismo e saúde mental

A análise das consequências e traumas causados pelo preconceito possibilitaram aos psicólogos elaborarem procedimentos para atender casos de racismo e saúde mental. Principalmente nas questões que envolvem a sua autoestima.

O grande número de vítimas que procuram os centros de tratamentos e acolhimentos reflete a realidade da violência às pessoas. Entre as consequências que costumam acontecer nesses traumas, estão:

    • Transtornos mentais;
    • Ansiedade;
    • Baixa autoestima;
    • Fobia;
    • Depressão;

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No caso especificamente das mulheres negras, além do racismo, elas ainda sofrem por conta do machismo. Essa desigualdade racial entre as mulheres negras ocorre pela estrutura social em que se exerce sobre a figura da mulher uma hiper sexualização de sua condição.

A história social do negro e da negra no Brasil reafirma que o preconceito racial ainda é naturalizado desde a época da colonização. Nos estudos de psicologia para os casos de racismo e saúde mental, a intolerância e preconceito em relação ao negro é visto como condição estrutural. Em nossa sociedade, todo indivíduo negro é caracterizado em mídia e descrito comumente como sendo menos inteligente, menor valor estético e minimizado em questões morais.

O racismo começa na infância, no ambiente escolar principalmente, onde é muito comum ações discriminatórias. Com o passar dos anos, os jovens negros vão sofrendo o mesmo tipo de reprodução de bullying em outros ambientes, nos grupos sociais, no trabalho, etc. O “padrão” hegemônico, imposto pela sociedade, influencia negativamente esses adolescentes que podem vir a se tornarem adultos com estigmas internalizados.

Todos estes fatores causam profundos impactos mentais e na vida dessas vítimas, desenvolvendo processos de autorrejeição.

Como lidar com o racismo e saúde mental

Os psicólogos realizam o movimento de acolhimento da vítima através do alívio, ao expressar-se, elevando sua autoestima, reduzindo seu desconforto o quanto possível. Logicamente, a administração terapêutica da ansiedade, dos estados depressivos e do estresse serão paralelamente administrados com terapias que ajudem a desestigmatizar a relação do racismo internalizado com a busca por seus direitos.

Neste sentido, a psicoterapia atua também, na prevenção e redução de danos causados pela discriminação e bullying. Nos atendimentos, a maioria das situações provenientes de racismo, demonstram claramente que deve-se exercer a educação sobre direitos, para que se possa agir de forma assertiva. As modalidades e técnicas de intervenção ajudam a promover um melhor entendimento sobre a questão do racismo e saúde mental do paciente.

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Autor: Thaiana Brotto (Psicóloga CRP 06/106524)
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