Por Julia Maschio
Psicóloga · CRP 06/195216
Publicado em 27/05/2021 · Atualizado em 15/07/2026
Precisamos falar sobre a saúde mental feminina.
As mulheres experimentam o estresse, a ansiedade e a depressão de formas singulares. Há, ainda, estudos que indicam uma maior suscetibilidade a condições mentais debilitantes entre a população feminina.
Esse fato se deve a múltiplos fatores que serão explanados a seguir.
Por que falar de saúde mental feminina?
Grande parte das vivências de homens e mulheres são distintas. A mesma situação pode ser interpretada de modo diferente por cada gênero. Por exemplo, a chegada de um bebê na família.

Mesmo com as transformações sociais as quais o Brasil passou nos últimos anos, as mulheres ainda são as principais cuidadoras dos filhos.
Assim, a responsabilidade de cuidar de um recém-nascido e, posteriormente, um bebê e uma criança costuma recair totalmente ou em grande parte sobre elas.
Algumas mulheres ainda são criticadas por trabalharem fora, optarem por métodos não-tradicionais de cuidado e terem uma vida social ativa em vez de passar 24 horas com os filhos.
Logo, pode-se dizer que a mesma experiência (de ter um filho) é sentida de maneira diferente entre homens e mulheres.
É o mesmo em relação às preocupações profissionais, violência, expectativas em um relacionamento, responsabilidades domiciliares no casamento, entre outras situações.
Além disso, é preciso destacar fatores biológicos que causam desconforto somente às mulheres, como a Síndrome Pré-Menstrual (SPM) e o Transtorno Disfórico Pré-Menstrual (TDPM).
Cerca de 80% das mulheres sofrem com os sintomas da SPM enquanto entre 3% e 8% são acometidas por sintomas da TDPM mensalmente.
Sendo assim, os cuidados necessários para preservar a saúde mental feminina possui características distintas dos cuidados com a saúde da mente dos homens. Cada fase da vida e personalidade, na verdade, requer um tipo diferente de autocuidado.
Elementos que impactam a saúde mental das mulheres
Você sabe o que afeta a saúde mental de uma pessoa?
Raramente – se não nunca – podemos atribuir somente um fator à deterioração da mesma. Quando alguém é demitido, por exemplo, ele não se sente triste somente por conta da demissão.
Ele fica preocupado com o futuro profissional e as finanças, magoado por ter sido rejeitado de alguma forma, irritado por não aceitar ser demitido, ansioso por precisar buscar outro emprego e frustrado por talvez não ter feito um bom trabalho. São vários elementos que culminam no mal-estar psicológico.
Quando se trata de saúde mental feminina, podemos destacar os seguintes fatores:
- A pressão para dar conta de todas as obrigações atribuídas tipicamente às mulheres (maternidade, casamento, casa e trabalho);
- A pressão para dar conta de todas as obrigações atribuídas tipicamente às mulheres (maternidade, casamento, casa e trabalho);
- Maior suscetibilidade ao estresse em razão da dupla jornada;
- Alterações hormonais durante o período menstrual, as quais causam mal-estar e oscilações de humor;
- Alterações hormonais na gravidez e puerpério;
- Problemas com imagem corporal;
- Relacionamentos tóxicos;
- Condição financeira;
- Suscetibilidade a sofrer violência, acarretando traumas psicológicos;
- Preconceito no ambiente profissional e acadêmico; e
- Pressões sociais e crenças culturais em relação ao papel da mulher na sociedade.
Um estudo da Universidade de Oxford, na Inglaterra, identificou que as mulheres são 40% mais suscetíveis a desenvolver condições psicológicas do que homens.
Todavia, essa discrepância pode originar no fato de que as mulheres procuram atendimento médico e psicológico mais facilmente.
O autor do livro “The Stressed Sex” e idealizador desta pesquisa, professor Daniel Freeman, identificou um padrão comportamental nas mulheres, o qual faz parte das justificativas para esse resultado.
Segundo ele, as mulheres tendem a interiorizar os seus sentimentos negativos e problemas, acumulando-os dentro de si. Já os homens exteriorizam o que sentem, apesar de nem sempre ser de maneira saudável.
Autocuidado para a saúde mental feminina
Então, como cuidar da saúde mental feminina? Existe uma fórmula mágica para isso?
Não. O autocuidado precisa ser feito constantemente para que seja eficaz. Felizmente, é possível fazer transformações significativas em seu modo de viver e bem-estar emocional tomando algumas atitudes simples no dia a dia!
Abaixo, confira uma série de cuidados fundamentais que ajudam a manter a saúde da mente feminina.
1. Pratique a meditação
A meditação é uma prática muito interessante para aliviar o estresse, controlar a ansiedade e combater a depressão. Cinco minutos de prática são o suficiente para modificar o estado da sua mente, livrando-a de pensamentos e emoções negativas.
Meditar é especialmente bom para quem tem muita ansiedade, apesar de ser não a atividade mais apreciada por essas pessoas.
Os momentos de tranquilidade e respiração profunda proporcionados pela meditação ajudam a controlar os devaneios sobre o futuro e o excesso de preocupação.
Comece de um jeito simples: feche os olhos e respire profundamente algumas vezes até sentir a tensão deixar os seus músculos. Depois concentre-se em sua respiração por, pelo menos, cinco minutos. Se você tem dificuldade de concentração, use um áudio de um instrutor para guiá-la durante a meditação.
2. Tenha um passatempo bacana
Como é a sua vida? Cheia de compromissos e obrigações? Apesar de ser importante se manter ocupado e produtivo, viver somente de trabalho não é saudável.
Uma vida muito estressante causa uma série de problemas de saúde, os quais podem levar a complicações graves na idade avançada.
Então, distribua o seu tempo entre demandas profissionais, afazeres domésticos, tempo com a família e tempo para você.
De preferência, cultive um passatempo divertido e gratificante, como tocar um instrumento, pintar em aquarela, dançar, patinar, colecionar um objeto, fazer voluntariado, ler, ir ao cinema ou ao teatro, entre outros.
Neste momento, se esqueça de todos os seus compromissos e preocupações e concentre-se em seu hobby. Você pode tanto chamar alguém para participar quanto fazê-lo sozinho. O que for melhor para você!
3. Aprenda a cuidar das suas finanças
Saber cuidar da sua vida financeira também é uma forma de autocuidado. Afinal, a falta de recursos financeiros diminui a qualidade de vida, certo?
Para investir em você por meio de cursos, graduações, viagens e experiências, você precisa cuidar bem do seu dinheiro e viver de acordo com a sua realidade financeira.
Quanto mais cedo você aprender a gerir o seu dinheiro, menos perrengues você encontrará ao longo da vida. Também terá mais recursos para usar em situações de emergência e momentos de necessidade, como após uma demissão.
4. Cuide da sua saúde física
O cuidado com a saúde física é igualmente indispensável. Mulheres devem fazer consultas periódicas para investigar o estado da sua saúde, assim como realizar os exames anuais que identificam o câncer de mama e o de câncer de colo de útero. Não deixe esse compromisso para depois!
Praticar exercícios físicos pelo menos três vezes por semana é outra forma de cuidar da saúde do seu corpo. Se você não gosta de musculação, procure fazer dança ou pilates, ou praticar um esporte coletivo. Você pode até mesmo usar aplicativos de exercícios aeróbicos em casa.
Nem todo mundo gosta de atividades físicas, mas elas são importantes para o funcionamento dos nossos órgãos, fortalecimento da nossa musculatura e produção de hormônios da felicidade – dopamina, endorfina – que preservam a nossa saúde mental.
5. Tenha uma vida social saudável
O que significa ter uma vida social saudável? Além de socializar com quem você gosta, como amigos, colegas de trabalho e familiares, é se certificar que todos esses vínculos fazem bem a você.
Se um relacionamento está acabando com a sua autoestima, significa que ele não é bom para você.
Pessoas tóxicas usam artimanhas sutis para implantar dúvidas na cabeça dos outros e fazê-los questionarem a sua própria capacidade. Assim, fica difícil perceber quando elas estão fazendo mal a você.
Quando um relacionamento, seja amoroso ou não, lhe causar sentimentos ruins, se pergunte se é:
a) em razão de um problema que pode ser resolvido;
b) por conta da convivência extenuante; ou
c) pequenos atritos que nunca são solucionados.
Às vezes, a melhor opção para as pessoas envolvidas em uma relação é se afastar e procurar novas amizades.
6. Faça psicoterapia
Experimente falar sobre os seus problemas e preocupações com um psicólogo. A orientação de um profissional experiente pode ajudá-la a encontrar soluções para dilemas de longa data e mudar percepções prejudiciais sobre a vida e você mesma.
Na terapia, você pode falar sobre quaisquer assuntos – relacionamento, família, vida sexual, filhos, carreira profissional e conflitos internos! Além disso, pacientes de psicoterapia aprendem a lidar com vida de maneira emocionalmente inteligente.
O acompanhamento psicológico pode ser procurado em qualquer idade e em qualquer momento da vida.
E você não precisa estar sofrendo com uma condição psicológica para isso! Se você está enfrentando problemas que parecem sem solução, também pode marcar uma consulta com um psicólogo.
Psicólogos para Saúde Mental
Você pode encontrar um psicólogo para Saúde Mental por terapia online por videochamada e também consultas presenciais em São Paulo:
-
Thaís LopesCRP 06/190956
Consultas presenciais
Consultas por vídeoPsicóloga pós-graduanda em Sexualidade Humana pelo CBI of Miami e membro do CRESEX – Centro de Referência. Atua com adultos e casais em questões de relacionamentos, carreira e saúde mental, com abordagem baseada em evidências científicas e Análise do Comportamento.
Valor R$ 275(R$ 150 a 1ª consulta)
Posso ajudar comSeparaçãoTraiçãoDependência EmocionalSíndrome do impostorVício em jogos de azar (Ludopatia)próximo horário:
Consulte os horários -
Julia MaschioCRP 06/195216
Consultas presenciais
Consultas por vídeoJúlia Maschio é psicóloga pós-graduada em Psicopatologia Fenomenológica pela Santa Casa de São Paulo. Atende adultos, casais e adolescentes em questões de ansiedade, autoestima, luto, estresse e relacionamentos, com escuta sensível e olhar humano...
Valor R$ 275(R$ 150 a 1ª consulta)
Posso ajudar comAdolescênciaAnsiedadeAutoaceitaçãoAutoconhecimentoAutoestimapróximo horário:
Consulte os horários

Autor: Psicóloga Julia Maschio - CRP 06/195216Formação: Júlia Maschio é psicóloga pós-graduada em Psicopatologia Fenomenológica pela Santa Casa de São Paulo. Atende adultos, casais e adolescentes em questões de ansiedade, autoestima, luto, estresse e relacionamentos, com escuta sensível e olhar humano...
Quem leu esse artigo também se interessou por:
- Controle Emocional: Como Identificar e Gerir Emoções
Entenda como o controle emocional funciona, quais são as emoções básicas e como o autoconhecimento ajuda a lidar melhor com sentimentos no dia a dia.
- Preconceito e saúde mental: por que ainda existe?
Muitas pessoas desconhecem a profundidade das características da ansiedade e depressão. É por isso que, quando recebem uma informação incondizente com a realidade, como ‘depressão é preguiça’ ou ‘ansiedade não existe’, costumam acreditar nela.
- Saúde Mental: Sinais de Equilíbrio e Quando Buscar Ajuda
Entenda o que caracteriza uma boa saúde mental segundo a Psicologia e reconheça os sinais de que é hora de buscar orientação com um psicólogo.
Outros artigos com Tags semelhantes:
- Psicologia experimental: o que é, como funciona e indicações!
A psicologia experimental é uma área que estuda o comportamento humano por meio de métodos científicos. Então, ao invés de apenas observar ou interpretar, ela testa hipóteses em ambientes controlados, [...]
- Transtorno de Ansiedade: Causas, Sintomas e Tratamentos
O Brasil possui a população mais ansiosa do mundo. Sim, são mais de 18 milhões de brasileiros que sofrem com esse transtorno, como aponta a BBC. Mas o que causa [...]
- É possível tratar insônia com terapia?
Segundo pesquisas realizadas pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), 72% dos brasileiros sofrem com alguma doença relacionada ao sono, sendo uma das principais a insônia. Um número bastante alarmante! Nesse cenário, [...]


















